Nem negação da ciência nem discurso do ódio, a saída do Brasil é a política. Por Éden Valadares

Publicado no PT Bahia

Atos por “Vacina no Braço, Comida no Prato e Fora, Bolsonaro” ocorreram em centenas de cidades no Brasil e no mundo – Paulo Pinto / AFP

Por Éden Valadares, presidente estadual do PT Bahia

Dia desses, em entrevista a uma rádio aqui de Salvador, reafirmei o compromisso histórico do nosso partido com os valores democráticos. Sendo mais direto: a trajetória do PT, ao longo destes 41 anos de luta, se confunde com a defesa da Democracia no Brasil.

O fortalecimento dos mecanismos de participação social; a defesa da Constituição Federal acima de casuísmos quaisquer; o respeito aos direitos humanos, o direito à vida e à cidadania; a independência das instituições de controle e fiscalização; e, por fim mas não menos importante, o inegociável respeito a soberania popular. Todas estas posições políticas são marcas do Partido dos Trabalhadores e nos fez sempre marchar pela consolidação de um projeto nacional democrático.

Mesmo quando achacados por campanhas públicas de criminalização, quando setores da classe dominante, da grande mídia ou judiciário decretavam o “fim do PT”, nós levantamos a bandeira da democracia e denunciamos que esta trilha iria ferir não apenas o petismo, mas a sociedade brasileira como um todo. Foi assim no Golpe contra a Presidenta Dilma. Foi assim na perseguição ao Presidente Lula. Resistimos. E hoje, de cabeça erguida, vemos um pouco de toda essa injustiça ser reconhecida e desfeita.

Goste-se ou não, o PT é peça fundamental da recente história da democracia brasileira. Pautamos as disputas nacionais desde 1989 e, registre-se, reconhecemos o resultado das urnas não apenas quando vencemos, mas também quando fomos vencidos.

É com esse compromisso que estamos novamente alertando o povo brasileiro para os riscos atuais que intimidam nosso país. Da mesma forma que não podemos naturalizar a misoginia, o machismo, o racismo e a homofobia das ações e discursos do atual Presidente da República, temos o dever de combater suas ameaças totalitárias.

A resposta às possíveis falhas da democracia deve ser sempre mais democracia; nunca menos. Toda a sociedade é fragilizada quando a política adentra seus tribunais, como ocorreu com a Lava Jato, ou em seus quartéis, tal qual acontece agora no Planalto Central. No primeiro caso, mata-se a Justiça; no segundo, a própria Democracia.

Chega de atalhos, basta de aventuras, ditadura nunca mais! A saída que o Brasil precisa encontrar para o atual estágio de desumanidade e incompetência não virá da negação da política, da estigmatização da Esquerda, muito menos do expediente do ódio e da violência como mecanismos de resolução dos nossos conflitos. O romancista, poeta e professor Ariano Suassuna nos ensinava que “a política é a arte do bem comum”. E é em comunidade, coletivamente, que a sociedade deve fortalecer nosso compromisso com a democracia e a soberania popular.

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