Nem o mercado dos amigos de Guedes mete medo em Bolsonaro. Por Moisés Mendes

Publicado no Blog do Moisés Mendes

O presidente da República, Jair Bolsonaro (Evaristo Sá/AFP)

Bolsonaro não poderia interferir na Polícia Federal, para determinar trocas de comando e assim proteger os filhos.

É o que diziam. Porque daria confusão até com os militares. Mas Bolsonaro interferiu, trocou chefias da PF e não aconteceu nada.

Bolsonaro não poderia tirar Luiz Henrique Mandetta do combate à pandemia, porque o surto ficaria fora de controle, o custo político seria irreversível, as mortes aumentariam e a tragédia da Covid-19 poderia derrubá-lo.

Bolsonaro mandou Mandetta embora, depois chamou e despediu Nelson Teich, deixou Eduardo Pazuello como interino por meses, efetivou o general amigo, a pandemia está no segundo surto e bate recordes, a rede pública de saúde entrou em colapso e não acontece nada.

Bolsonaro não poderia mandar Sergio Moro embora da Justiça, porque o ex-juiz era o seu ministro mais poderoso e popular e o pilar moral do governo.

Mas Sergio Moro não aceitou as ordens de Bolsonaro para que aparelhasse as polícias com arapongas, caiu, saiu atirando e não aconteceu nada além de um inquérito que anda a 10 por hora no Supremo.

Bolsonaro não poderia correr o risco de desafiar os poderes liberais de Paulo Guedes e seria louco se decidisse interferir na Petrobras para tentar controlar os preços dos combustíveis.

Diziam que o conselho da Petrobras e o mercado financeiro promoveriam uma rebelião capaz de derrubar Bolsonaro.

Bolsonaro passou por cima de Paulo Guedes, demitiu o presidente da Petrobras, colocou mais um general no comando da empresa, o conselho valente se encolheu, o mercado vai se calar e não acontecerá nada.

Bolsonaro manobra em todas as áreas, sempre sob a ameaça de que o próximo movimento em falso pode ser fatal.

Nada é fatal para Bolsonaro, para os filhos dele e para os militares que conseguiram emprego no governo.

É simples assim. Não acontece nada com maiores consequências para os Bolsonaros. Muito menos no STJ.

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