“Nenhuma autoridade está acima da lei”, diz Edinho ao comentar situação de Toffoli

Atualizado em 15 de fevereiro de 2026 às 17:14
O presidente nacional do PT, Edinho Silva. Foto: Divulgação

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou em entrevista à CNN que vê “pré-julgamento” e “ataques” a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no contexto das investigações envolvendo o caso Master. A declaração ocorre após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria do processo na Corte e diante da divulgação de reuniões reservadas conduzidas por magistrados, reveladas pelo portal ‘Poder360’.

Edinho destacou que o partido defende a apuração dos fatos, mas criticou o que considera exposição pública antecipada de envolvidos. “Todas as denúncias e suspeitas precisam ser investigadas e esclarecidas, para o bem das instituições e da credibilidade do sistema financeiro brasileiro. Mas não podemos ser favoráveis ao pré-julgamento e ao linchamento público de ninguém. Já vimos essa prática na Lava Jato, ela só enfraqueceu a democracia e as instituições”, disse.

O dirigente petista lembrou que a bancada do partido se posicionou a favor das investigações relacionadas ao Master. Segundo ele, a apuração é necessária, mas deve ocorrer dentro dos parâmetros legais, sem que haja condenações antecipadas no debate público.

Questionado especificamente sobre a situação do ministro, Edinho reiterou que não há autoridades imunes à lei, mas reforçou garantias constitucionais. “Nenhuma autoridade está acima da lei. Absolutamente nenhuma. Mas o direito de defesa e a presunção da inocência também são direitos de todos os cidadãos, inclusive de um ministro do Supremo. Nunca vou aplaudir pré-julgamento e tampouco linchamento público”, afirmou.

O ministro Dias Toffoli. Foto: Divulgação

Para o presidente do PT, parte das reações ao caso revela “oportunismo autoritário”. Ele argumentou que a negação do direito à ampla defesa caracteriza um “regime de exceção”, posição que, segundo ele, compromete o equilíbrio institucional.

Edinho também defendeu mudanças estruturais no sistema político-eleitoral e no Judiciário. Na avaliação do dirigente, há um desgaste no modelo atual de representação democrática que precisa ser enfrentado por meio de reformas.

“Nosso atual modelo de democracia representativa está carcomido, é urgente também uma reforma no Poder Judiciário. A sociedade cobra com muita força o fim de qualquer privilégio, temos que aproximar o Estado da sociedade civil, esse distanciamento só aumenta o descrédito.”, declarou.

Ao final, o presidente do PT afirmou que a defesa de reformas não deve ser associada a movimentos extremistas. “Temos que apurar todas as denúncias, mas esse ataque aos ministros do STF, sem o direito de defesa, enfraquece o Judiciário, alimenta o sentimento antissistema, e pavimenta o caminho para o autoritarismo”, concluiu.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.