Netanyahu caminha para derrota em Israel, apontam pesquisas de boca de urna

Atualizado em 27 de outubro de 2026 às 22:29
Gadi Eisenkot Benjamin Netanyahu
Propaganda para debate entre o ex-chefe das Forças de Defesa de Israel, Gadi Eisenkot e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Foto: Ammar Awad/Reuters

O principal adversário de Benjamin Netanyahu na eleição israelense, Gadi Eisenkot, apareceu à frente em duas pesquisas de boca de urna divulgadas nesta terça-feira (27), mas sua ascensão mantém uma posição central do atual premiê: a rejeição a um Estado palestino independente. Ex-chefe das Forças Armadas e ex-integrante do gabinete de guerra, Eisenkot defende a manutenção do controle militar israelense sobre a segurança na região.

Segundo a Reuters, duas das três principais emissoras projetaram uma pequena vantagem para o bloco de oposição liderado por Eisenkot. A terceira, o Canal 13, apontou empate em 51 cadeiras para cada campo. Nenhuma projeção atribuiu a um dos blocos os 61 assentos necessários para formar maioria no Parlamento de 120 integrantes. Os números são estimativas de boca de urna, ainda sujeitas à apuração.

Líder do partido Yashar, Eisenkot entrou na política em 2022 e integrou o gabinete de guerra de Netanyahu após os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023. Deixou o grupo oito meses depois, criticando a condução do governo. Na campanha, sustenta que a guerra fracassou porque o Hamas permanece no poder e defende destruir ou desmantelar a ala militar do movimento.

Seu histórico militar inclui a doutrina Dahiya. Em 2008, quando comandava a região norte do Exército, Eisenkot defendeu o uso de força desproporcional contra aldeias libanesas de onde o Hezbollah disparasse foguetes. Em declarações registradas pela Reuters, afirmou que esses locais seriam tratados como bases militares e submetidos a grandes danos e destruição. A referência era o bairro de Dahiya, em Beirute, devastado por ataques israelenses em 2006.

Gadi Eisenkot
O ex-chefe das Forças de Defesa de Israel (FDI) Gadi Eisenkot. Foto: Shir Torem/Reuters

Em entrevista ao Times of Israel neste mês, Eisenkot afirmou que o Exército israelense deveria ser a única força militar entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo. Admitiu uma administração palestina para a população local, mas subordinada ao controle de segurança de Israel, uma fórmula de autonomia limitada que não corresponde à soberania de um Estado independente.

Há diferenças entre os rivais sobre assentamentos e a atuação da extrema direita. Eisenkot se opõe ao projeto de expansão E1 na Cisjordânia, defende retirar postos de colonização ilegais e promete combater ataques de colonos a palestinos. Netanyahu governa com Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, defensores da anexação da Cisjordânia. Os partidos dos dois aliados de extrema direita somavam 13 cadeiras nas projeções citadas pela Reuters, já incluídas no bloco do premiê.

A disputa também inclui forças que defendem outra saída. Os Democratas, liderados por Yair Golan, apoiam a solução de dois Estados, assim como partidos árabes fora dos dois principais blocos. Essas legendas árabes poderiam ser decisivas para a formação de uma maioria, mas Eisenkot praticamente descartou compor um governo com elas. Na sede da Lista Conjunta, a candidata Faten Gattas declarou rejeição à ocupação e ao racismo.

O impasse ocorre após uma comissão independente da ONU concluir que Israel manteve atos de genocídio em Gaza mesmo depois do cessar-fogo. O relatório divulgado na segunda-feira (26) aponta ataques e violações contra palestinos durante a trégua. Israel rejeitou as conclusões e acusou a comissão de promover desinformação. A guerra matou mais de 74 mil palestinos, segundo as autoridades de saúde de Gaza citadas pela Reuters.

Embora as projeções indiquem perdas para a coalizão de Netanyahu, que tinha 68 cadeiras, a falta de maioria também dificulta a chegada de Eisenkot ao poder. A formação de um governo em Israel depende de alianças no Parlamento. Sem um acordo entre partidos, Netanyahu poderá continuar interinamente no cargo durante as negociações.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!