
A declaração de Benjamin Netanyahu, em que invoca uma comparação supostamente ousada e original entre Jesus Cristo e Genghis Khan, serviu para mostrar de vez sua visão de mundo — em alemão, weltanschauung.
Durante uma coletiva de imprensa sobre a guerra contra o Irã, Netanyahu usou uma analogia histórica, citando o pensador americano Will Durant, dizendo que “Jesus Cristo não tem vantagem sobre Genghis Khan”, e que se você for “forte o suficiente, implacável o suficiente e poderoso o suficiente, o mal superará o bem.”
Essa fala não é apenas uma crítica à moralidade, mas um ataque direto ao princípio de que a bondade e a justiça prevalecem, não importa o quão grande seja a força do mal. Essa é a mensagem de Jesus Cristo.
Tentando se explicar, Netanyahu afirmou que Durant adorava Jesus. Na verdade, o historiador morreu ateu. Jesus Cristo tem, sim, uma vantagem sobre Genghis Khan. A mensagem central de Cristo não é apenas sobre poder terreno ou força militar, mas sobre a eternidade, a vida sem fim, e o triunfo do bem sobre o mal. O oposto do que é feito na Faixa de Gaza.
É essa visão que forma a base de muitos dos princípios éticos que guiam sociedades que prezam pela justiça e pela dignidade humana. Não é só uma questão de crença religiosa, mas de valores universais que sustentam a convivência civilizada entre os povos.
O problema com a declaração de Netanyahu vai além da comparação infeliz. Ela revela um olhar utilitário, desumano e militarista sobre os conflitos globais, no qual o poder e a força são vistos como as únicas armas capazes de garantir a vitória.
Ao minimizar a importância da moralidade e da justiça, Netanyahu abraça a visão de um mundo onde o único critério válido para a resolução de disputas é a força bruta. Isso não é apenas perigoso, mas também desprovido de qualquer entendimento dos valores que realmente moldam uma sociedade civilizada.
É também um contradição com a velha conversa fiada de que o Exército de Israel é o “mais moral” do mundo. Qual? A de Gengis Kahn? Ou a de Átila, o Huno? Ou a do alemão de bigode?
Se a única coisa que conta é a força, o que acontece com os direitos humanos, a diplomacia e os esforços para evitar o sofrimento humano? Em tempos de guerra com o Irã e Jeffrey Epstein, é bom, ao menos, saber que os criminosos que bombardeiam escolas de meninas não fazem mais questão de esconder que operam sob o signo da maldade absoluta.
Important video.
Netanyahu explains Israeli/Jewish supremacist morality.
He says f*ck “morality”, forget being “just.”
“Jesus Christ has no advantage over Genghis Khan.” Wow.
Be “ruthless, and powerful”
This is their philosophy. Pay attention. pic.twitter.com/fRvWafde5o
— ADAM (@AdameMedia) March 19, 2026