
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que ordenou ao seu gabinete a abertura de negociações diretas com o Líbano com o objetivo de desarmar o Hezbollah e estabelecer “relações de paz” entre os dois países. Segundo comunicado oficial, a decisão foi tomada após pedidos recorrentes do lado libanês para iniciar conversas formais.
Líbano busca trégua temporária e mediação dos EUA
Autoridades libanesas disseram à agência Reuters que o país tenta negociar um cessar-fogo temporário para viabilizar discussões mais amplas com Israel. A proposta seguiria um modelo semelhante ao acordo frágil mediado pelo Paquistão entre Estados Unidos e Irã.
Segundo uma fonte de alto escalão, ainda não há data ou local definidos, mas o Líbano considera essencial a participação dos EUA como mediadores e garantidores de qualquer eventual acordo.
OTAN, Alemanha e Paquistão entram no debate
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou que a aliança está disposta a participar de uma possível missão no Estreito de Ormuz, caso seja solicitado.
Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu uma solução negociada para o conflito com o Irã, alertando que, embora uma escalada maior tenha sido evitada “por enquanto”, o cessar-fogo permanece instável.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, condenou o que chamou de “agressão contínua” de Israel contra o Líbano, reiterando os esforços de seu país para promover a paz regional, inclusive com negociações entre Washington e Teerã previstas em Islamabad.

Tensões persistem e divergências aumentam
Os Estados Unidos condenaram um ataque ocorrido em 7 de abril contra o consulado do Kuwait em Basra, no Iraque, e pediram que o governo iraquiano responsabilize grupos alinhados ao Irã.
A Russia, por sua vez, defendeu que o cessar-fogo anunciado entre EUA e Irã também inclua o Líbano. O chanceler Sergei Lavrov afirmou, em conversa com o iraniano Abbas Araghchi, que o acordo tem dimensão regional e deve abranger o território libanês.
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, reforçou que o Líbano é “parte inseparável” do cessar-fogo, rejeitando qualquer tentativa de tratá-lo como um conflito à parte — posição que contrasta com a do presidente dos EUA, Donald Trump, que classificou os confrontos entre Israel e Hezbollah como uma “escaramuça separada”.
Escalada militar e impacto econômico
Netanyahu também confirmou que ataques das Forças de Defesa de Israel (IDF) no Líbano mataram Ali Yusuf Harshi, sobrinho e secretário do líder do Hezbollah, Naim Qassem.
Enquanto isso, o International Monetary Fund (FMI) alertou para os efeitos econômicos duradouros da guerra. A diretora-gerente Kristalina Georgieva afirmou que a instituição pode precisar liberar entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões em ajuda emergencial para países afetados — valor que pode aumentar caso o cessar-fogo não se sustente.
Reaproximação diplomática inédita
Em meio à crise, Irã e Arábia Saudita realizaram uma rara conversa oficial — a primeira desde o início da guerra. O chanceler saudita, príncipe Faisal bin Farhan, recebeu uma ligação de Abbas Araghchi, sinalizando uma possível reabertura de canais diplomáticos em um cenário ainda altamente volátil.