Neymar Jr. é acusado de tentar subornar ativista LGBT em caso de homofobia

As ameaças começaram, de acordo com Magalhães, após ele entrar com uma representação no Ministério Público contra Neymar e seus “parças” – DAMIEN MEYER / AFP

Publicado originalmente no site Brasil de Fato

POR IGOR CARVALHO E DANIEL GIOVANAZ

Agripino Magalhães, militante do movimento Aliança Nacional LGBTI+, acusa o jogador Neymar da Silva Santos Junior de tentar suborná-lo para que ele retire uma denúncia, aceita em junho de 2020 pelo Ministério Público de São Paulo, em que o jogador é investigado por supostas ameaças de morte contra o ativista.

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De acordo com Magalhães, em entrevista ao Brasil de Fato, um representante de Neymar o procurou e ofereceu R$ 350 mil para que a denúncia seja retirada.

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“Eu disse que não, pois não estou processando eles por dinheiro”, afirma o ativista. O caso se tornou um inquérito da Polícia Civil e está sendo investigado pela 15ª DP, no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo.

As ameaças começaram, de acordo com Magalhães, após ele entrar com uma representação no Ministério Público contra Neymar e seus “parças”, em 8 de junho de 2020.

Na época, circulou um áudio nas redes sociais em que o jogador conversa com um grupo de amigos sobre Tiago Ramos, namorado de Nadina Santos, sua mãe.

Os amigos sugerem que Ramos seja torturado com um cabo de vassoura e Neymar o chama de “viadinho”, fazendo alusão à sua bissexualidade. Agripino Magalhães, que é deputado estadual suplente pelo PSB em São Paulo, decidiu denunciar o atleta por homofobia.

A promotora Cristiana Tobias Steiner, da 1ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, afirmou que “não há nos áudios intenção de cometimento de crimes em razão da homossexualidade da vítima”.

Ela também não enquadrou o caso como crime de homofobia segundo o entendimento mais recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que equipara ao crime de racismo.


Página do Inquérito instaurado pela Polícia Civil / Foto: Reprodução

Caberia à própria vítima, Tiago Ramos, nesse caso, entrar com representação por injúria, segundo a promotora. Na interpretação de Steiner, o que houve foi uma conversa “infeliz”, “de cunho particular”, “entre amigos”. Mesmo assim, ela decidiu oficiar a autoridade policial e pediu a instalação do inquérito para apurar os crimes de ameaça.

A promotora também pediu ao Facebook os dados do usuário cadastrado na conta do Instagram de onde teriam partido mensagens ameaçadoras, que foram apontados por Magalhães, através de prints, no ato da denúncia.

Ameaças

Em depoimento à Polícia Civil, Magalhães afirmou que em julho de 2020 foi perseguido por dois homens e teve o celular furtado.

Em outro momento, um homem que se identificou como “Laranjo” ligou para o ativista e “mandou que apagasse todas as postagens sobre o áudio e que desistisse da representação contra o Neymar.”

O Brasil de Fato tentou contato com o Instituto Neymar por diversas vezes. Porém, até o fechamento desta matéria não houve resposta.

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