
O que deveria ser o encerramento triunfal de uma caminhada de 240 quilômetros liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) transformou-se em um cenário de pânico e dor. A queda de um raio nas proximidades do evento deixou dezenas de feridos, expondo uma negligência organizacional que ignora não apenas os alertas da ciência meteorológica, mas a própria segurança básica do gado fanatizado.
Os números: 42 vítimas estavam estáveis, conscientes e orientadas. Outras 30 precisaram ser levadas ao Hospital de Base do DF (HBDF) e ao Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). Oito apresentavam quadro grave. Há registros de queimaduras nas mãos e no tórax, além de torções e casos de hipertermia ligados ao esforço físico e às condições climáticas.
A tragédia não foi um imprevisto. Desde a última sexta-feira, o Distrito Federal encontrava-se sob alerta laranja de perigo potencial para chuvas intensas, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Com previsões de tempestades severas e descargas elétricas, a manutenção de um ato político em campo aberto, utilizando estruturas metálicas como guindastes e grades, configura uma escolha deliberada pelo risco.
A descarga elétrica percorreu um guindaste que sustentava uma bandeira — funcionando como um para-raios improvisado no centro da multidão — e atingiu manifestantes que buscavam abrigo sob a chuva.
Acorda, Brasil! 🇧🇷 https://t.co/XW60IKw6Rg pic.twitter.com/5m87tkj3pR
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) January 25, 2026
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), a operação de resgate foi imediata, mas a magnitude do dano reflete a gravidade da exposição ao risco.
A irresponsabilidade de Nikolas Ferreira e dos organizadores, como a deputada Bia Kicis (PL-DF), não se encerrou no momento do raio. Em seu discurso final, o parlamentar optou por ignorar solenemente as vítimas que, minutos antes, haviam sido socorridas por 25 viaturas dos bombeiros. Enquanto dezenas de seus apoiadores eram levados a hospitais com queimaduras e em estado de choque, o deputado focou sua retórica em ataques ao Supremo Tribunal Federal e em pautas eleitorais, como a “libertação do Nordeste”.
Ao convocar milhares de pessoas para uma jornada exaustiva sob condições climáticas adversas e manter a aglomeração mesmo diante de tempestades iminentes, a liderança política assume a responsabilidade direta pela integridade física de seus seguidores.
A busca por uma “chegada apoteótica” e o engajamento digital pesaram mais do que a vida dos “patriotas” que o deputado afirma defender.
Nikolas Ferreira não apenas liderou uma caminhada; ele conduziu seus eleitores para uma cilada diabólica.
Após o Nikolas Ferreira usar o nome de Deus pra fazer política, um raio caiu na sua manifestação e 13 pessoas foram hospitalizadas. Será que até Deus está ficando irritado com o uso do nome dele por essa gente?pic.twitter.com/2pmtlgXRvS
— Vinicios Betiol (@vinicios_betiol) January 25, 2026
🚨 Brasília: Raio atinge grupo em caminhada com Nikolas Ferreira; bombeiros atuam no socorro. pic.twitter.com/FNi342bwXH
— A Voz Dos Bastidores (@VDBnews) January 25, 2026
🚨 Um raio caiu próximo à aglomeração bolsonarista que aguardava Nikolas Ferreira. Há relatos de feridos e hospitalizações, em meio a chuva forte. pic.twitter.com/5iYVo8mTqd
— Marina do MST (@marinadomst) January 25, 2026
BRASÍLIA: Manifestante é levada ao Hospital de Base de Brasília após queda de descarga elétrica. O raio atingiu um grupo de bolsonaristas que estavam em ato convocado pelo deputado Nikolas Ferreira, na região do Memoral JK. Chove forte na região. pic.twitter.com/fbD9hq37r8
— Renato Souza (@reporterenato) January 25, 2026