No aniversário do golpe de 64, Bolsonaro revela a seus fãs que é uma belieber de Moro. Por Kiko Nogueira

 

Nelson Rodrigues escreveu que “o medo do ridículo gera as piores doenças psicológicas.” Nesse sentido, Jair Bolsonaro é o homem mentalmente mais são do Brasil.

Neste 31 de março, aniversário da gloriosa revolução de 64, Bolsonaro deixa de presente a seus seguidores, como ele adoradores de uma ditadura, a surpresa: o mito é uma belieber.

As cenas da perseguição ao juiz Sergio Moro no aeroporto de Brasília são das coisas mais patéticas que jamais se verão. O chamado papelão, como se refere a família tradicional.

Qual uma fã de Justin Bieber enlouquecida, Jair sai correndo atrás de Moro depois de uma combinadinha básica com a pessoa que faz seus vídeos para colocar nas redes sociais.

Aproxima-se do magistrado, arfante, na esperança de um congraçamento entre irmãos de armas. Estende-lhe a mão.

E então dá-se o vexame.

Fica no vácuo. Sem ação, visivelmente consternado, bate uma continência. Depois, chafurdando no desprezo de seu ídolo, dá-lhe um triste tapinha nas costas enquanto o outro se retira rumo ao desconhecido.

Tentou faturar com Moro, o oportunista, e deu-se tremendamente mal.

Os milhões de bolsominions descobriram que a diferença entre JB e uma adolescente que vive trancada no quarto, com aparelho nos dentes e cercada de pôsteres de Luan Santana, é pouca.

Bolsonaro, na hora de se deitar, pensou no que diriam Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, pela ordem.

Teria que ouvir um esporro e pagar 500 flexões? Seria proibido de proferir seus nomes? Qual a penalidade do exército para puxa sacos?

Sob o olhar deles, receberia choques elétricos, chineladas nas plantas dos pés e teria a cabeça enfiada num balde d’água até se afogar — tratamento dados aos “lobinhos”, como são chamados os terceiros-sargentos recém-formados?

Nada. Alguns tapinhas na bunda pra parar com essa veadagem de sair correndo atrás de marmanjo em lugar público já tá bom.

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