No BTG, Haddad rebate críticas da Faria Lima: ‘Herdamos um problema de R$ 200 bi’

Atualizado em 10 de fevereiro de 2026 às 20:54
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em evento do BTG Pactual, nesta terça-feira (10). Imagem: reprodução

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, rebateu as críticas do setor financeiro e da Faria Lima à condução da política fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em evento do BTG Pactual, nesta terça-feira (10), o ministro destacou que, desde que assumiu o governo, a equipe econômica conseguiu reduzir o déficit nas contas públicas de 1,06% do PIB para 0,48%.

Haddad mencionou que, ao assumir a gestão, o orçamento enviado pelo governo anterior tinha um rombo de R$ 63 bilhões, além de R$ 44 bilhões de precatórios extras e o reajuste do Bolsa Família que ficou pendente desde 2022.

“O orçamento que o governo anterior mandou para 2023 tinha R$ 63 bilhões de déficit, faltando os R$ 44 bilhões de precatórios extras, porque a PEC do calote foi considerada inconstitucional, e faltando o reajuste do Bolsa Família que foi dado em primeiro de agosto de 2022. Você tinha um déficit contratado de 1,06% do PIB. É uma conta incontornável, não dá para jogar debaixo do tapete”, disse Haddad, lembrando a gravidade do cenário econômico herdado do governo anterior.

O ministro também ressaltou que o problema fiscal herdado pela gestão Lula era de R$ 200 bilhões e criticou a falta de reconhecimento desse impacto nas críticas que vêm sendo feitas à sua equipe econômica.

“Não estou falando do Fundeb, não estou falando do BPC, de emenda parlamentar ou da indenização aos governadores por conta do ICMS. Estou falando de um problema estrutural que não é considerado nas centenas de editoriais escritos contra o governo sobre a pauta fiscal”, disse. Ele destacou que, ao longo do ano passado, o governo conseguiu reduzir o déficit primário em 70% em comparação com a gestão anterior, uma melhoria significativa que foi alcançada com grande esforço.

A dívida pública também foi tema de sua fala, com Haddad apontando que, em 2025, o rombo nas contas públicas foi de R$ 58,7 bilhões (ou 0,46% do PIB), comparado a R$ 45,4 bilhões em 2024 (0,39% do PIB).

“Eu gostaria de ter ido além? Gostaria. Mas você tem que negociar com o Congresso, que tinha acabado de aprovar aumento de despesa. Como você equaciona tudo isso com o clamor da Faria Lima? Como dizem os baianos: ‘Eu sou um só’. É fácil estar no computador escrevendo o que o ministro da Fazenda precisa fazer”, afirmou, criticando a falta de compreensão das dificuldades que envolvem o processo de ajuste fiscal.

Haddad aproveitou a oportunidade para alfinetar os críticos, explicando que, embora as pressões do setor financeiro sejam constantes, o governo está realizando um trabalho responsável de redução do déficit fiscal, com um foco em questões estruturais de longo prazo. Segundo ele, a crítica precisa ser mais técnica e fundamentada, em vez de se basear em desinformação, como tem ocorrido com frequência.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em evento do BTG Pactual, nesta terça-feira (10). Imagem: reprodução

Em relação à reforma tributária, o ministro destacou o avanço significativo na reforma sobre o consumo, que entrou em fase de testes em 2026. Ele destacou que o sistema será implementado de forma gradual, com uma transição prevista até 2033. Para Haddad, a reforma foi o aspecto mais “impressionante” da gestão até agora, e ele atribui o sucesso ao trabalho colaborativo com o Congresso Nacional.

Por fim, o ministro abordou a questão da dívida pública, afirmando que o tema precisa ser discutido em sua complexidade. Ele observou que o aumento de 18% no estoque da Dívida Pública Federal em 2025, atingindo R$ 8,635 trilhões, reflete o desafio de lidar com as finanças públicas de maneira responsável, apesar das pressões externas e internas. “Não é uma coisa simples”, concluiu, reiterando que o governo está focado em encontrar soluções sustentáveis a longo prazo.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.