No documentário “Visionários da Quebrada”, as periferias contam sua história. Por Alê Kormann

Cena de “Visionários da Quebrada”

POR ALESSANDRA KORMANN

Neste presente distópico que estamos vivendo, às vezes é preciso um respiro. Melhor ainda quando essa lufada de ar vem de um lugar tantas vezes silenciado e que tem tanto para falar: as periferias de São Paulo.

No plural mesmo, porque elas são muitas, diversas. Como os seus personagens.

O documentário “Visionários da Quebrada”, de Ana Carolina Martins, acompanha dez transformadores sociais que, por meio da sua atuação, vão ressignificando espaços, abrindo caminhos, construindo pontes.

E que trazem à tona questões latentes e discussões cada vez mais necessárias.

A primeira delas, que salta aos olhos no filme, é a importância de que as pessoas sejam os narradores de suas próprias histórias. É isso que “Visionários” faz, com um olhar de dentro, inspirador.

O olhar da diretora nascida no Capão Redondo, da produtora Maria Clara Magalhães, criada no Grajaú. E com a voz dos personagens da Brasilândia, Paraisópolis, Campo Limpo, Capão Redondo, Jardim Nakamura, Jardim Ângela, Vargem Grande, São Mateus.

E do Largo do Arouche, porque as periferias também pulsam no centro. O documentário faz isso bem-feito, com legitimidade e qualidade.

Outro efeito que o filme provoca para quem vive na bolha e só transita no miolo entre as marginais é expor a imensidão da cidade e a riqueza que existe do lado de lá da ponte, que muita gente não faz nem ideia.

Como os saberes ancestrais de viver em comunidade, que hoje em dia são vendidos como a nova “economia compartilhada”, mas que já são praticados há gerações por quem vive nas margens.

Há inúmeras reflexões que o documentário instiga. Como a imbecilidade dos padrões estéticos e sociais. A urgência da ocupação dos espaços públicos para viver em paz. O poder da escuta atenta no destino de uma criança. A força do exemplo palpável, logo ali.

É a potência das periferias mostrando que um outro futuro é possível.

Serviço

Exibição do documentário “Visionários da Quebrada”, seguida de roda de conversa com a diretora e educadora Ana Carolina Martins e os convidados Vinicius Rodrigues, produtor cultural, e Irene Silva, psicóloga, sobre o tema “Cultura Viva: as transformações que vêm das margens”.

Teatro da Livraria Cultura no Shopping Bourbon

9 de novembro, sábado, às 16h

Ingressos gratuitos retirados com uma hora de antecedência na bilheteria

Acesso universal

 

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