No ritmo atual, 400 mil mortes chegam no fim de abril. Por Fernando Brito

Ação realizada na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em memória das mais de 100 mil mortes por Covid-19 no Brasil – Mauro Pimentel / AFP

Publicado originalmente em O Tijolaço:

Não é “alarmismo”. É só aritmética e encarar os fatos sem a tentação da “esperança imotivada” que a todos nos faz “torcer” por soluções espontâneas.

Tivemos mais 3.500 mortes de ontem para hoje, o que levou a média semanal para 2.543 por dia.

Ainda que não suba mais – e vai subir, ao menos nos próximos dias – basta “manter isso aí” e teremos 397 mil mortes no último dia de abril.

400 mil mortes, portanto.

Se é alarmismo, alarmista em boa companhia, a do médico Dráuzio Varella, que escreve na Folha:

Os médicos, os sanitaristas e os epidemiologistas que alertavam para as dimensões da tragédia em gestação eram considerados alarmistas e defensores de interesses políticos escusos.
Deu no que deu: 300 mil mortos, hospitais com UTIs sem leitos para oferecer aos doentes graves, milhares de pacientes morrendo à espera de uma vaga.
O que acontecerá nas próximas semanas? Chegaremos a 400 mil mortes?

Sim, chegaremos.

É por isso que o moderadíssimo médico, não hesita em dizer que é “deprimente ver os malabarismos circenses do novo ministro da Saúde, ao justificar que ficava a critério da liberdade milenar do médico prescrever o tratamento precoce com drogas inúteis.

Como assim, ministro? Enquanto a medicina foi praticada como o senhor defende, os colegas que me antecederam receitavam sangrias e sanguessugas. Finalmente, sob pressão, o presidente convocou os três Poderes para um convescote político, com o pretexto de criar um comitê para gerir a crise sanitária. Incrível, não? Imaginar que uma equipe comandada por ele será capaz de nos tirar dessa situação é acreditar que mulher casada com padre vira mula sem cabeça.

Os “lockferiados” adotados por quem não tem coragem de adotar “lockdown” estão mostrando seus resultado nos engarrafamentos-monstro em busca das cidades de veraneio.

Dráuzio Varela diz que “só podemos contar com nós mesmos” diante de uma pandemia que “saiu de controle”.