Nos EUA, o golpista Flávio Bolsonaro insiste em mostrar à mídia que nunca foi ‘moderado’, mas não adianta

Atualizado em 29 de março de 2026 às 11:10

Flávio Bolsonaro é um fenômeno. Um caso de pulha que insiste em se mostrar um pulha, mas que a imprensa brasileira transforma em príncipe através de uma harmonização escrotal fantástica.

O senador pelo PL-RJ e pré-candidato à presidência, rei da rachadinha e apoiador da milícia, deixou claro seu apoio a uma intervenção nas eleições brasileiras de 2026 durante um evento conservador no Texas, afirmando que os Estados Unidos devem exercer “pressão diplomática” para garantir que o processo eleitoral siga os “valores de origem americana”. O seminário era do CPAC, Conferência da Ação Política Conservadora, uma cloaca fascista.

Esse tipo de declaração, associada à retórica de deslegitimização das instituições brasileiras, revela a tentativa de internacionalizar o processo político nacional e moldá-lo a seu favor, subvertendo a soberania do Brasil e criando um ambiente propício para um golpe disfarçado de “justiça eleitoral”.

Sim, golpe. A mídia, no entanto, insiste na palavra mágica: “polarização”. Nós vimos esse filme com o pai dele e a “escolha muito difícil” do Estadão.

“Nos Estados Unidos as fraudes puderam ser investigadas e comprovadas, no Brasil é proibido investigar o processo eleitoral. Mas na verdade ambos precisam aprimorar o sistema eleitoral”, afirmou, questionando a imparcialidade das instituições brasileiras, em especial do STF.

“Brasil é a solução da América para quebrar a dependência da China em terras raras. Terras raras são essenciais para processamento de computadores e também para equipamentos de defesa americanos”, declarou, oferecendo o país de porteira fechada ao governo Trump.

Fez elogios a seu pai, chamando-o de “o aliado internacional mais leal” de Donald Trump — ou seja, um lambe-botas ordinário. Falou também sobre o processo de “lawfare”, o termo utilizado para descrever o uso do sistema judicial para perseguir adversários políticos, algo que, segundo ele, teria ocorrido contra o governo de Jair, que está preso atualmente em domiciliar com seus cachorros e sua mulher.

Questionou a revogação do visto de Darren Beattie, assessor de Trump, que havia solicitado permissão para visitar Jair Bolsonaro na prisão sem agenda oficial, apenas para causar constransgimento político e conspirar. Para o senador, isso teria sido uma atitude inédita e sem precedentes, considerando-a um ataque da diplomacia brasileira.

Posicionou-se sobre o PL da Misoginia, criticando o projeto de lei pelo qual votou a favor e acusando o PT de tentar uma armadilha política contra ele. “Qual a dificuldade de entender isso? Estava o circo todo armado para uma lei que não defende as mulheres, uma lei que vai gerar censura”, disse. Ou seja, um trouxa assumido.

“Meu pai não tem condições de assumir cargo, mas, se Deus quiser, ele vai subir a rampa comigo em 2027. Sempre vou consultar o meu pai, mas o candidato sou eu”, disse.

Flávio Bolsonaro não está apenas exercendo sua liberdade de expressão. Está dizendo o que é e o que planeja fazer se for eleito. Onde está a moderação vendida na imprensa brasileira? Ele mesmo faz questão de demonstrar que isso é uma empulhação.

A ideia é, se for o caso, bombardear o Brasil sob o disfarce de um “combate ao narcoterrorismo do PCC e CV”. Se depender dos colunistas dos jornais, isso é só força de expressão e retórica. O problema é o Moraes.

 

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.