Nossos fascistas moralistas estão bem protegidos. Por Moisés Mendes

Originalmente publicado em BLOG DO MOISÉS MENDES

Por Moisés Mendes

Esse barbudo é a cara dos farsantes da extrema direita. É o eurodeputado húngaro József Szájer, um dos fundadores e líderes do Fidesz, o partido do primeiro-ministro fascista Viktor Orbán.

Szájer era até agora mais do que um ultraconservador. Era e é um fascistão, que defende a família, ataca gays, negros e refugiados e condena tudo que não considera normal dentro dos seus padrões supremacistas.

Agora é também um cara retirado à força do armário, depois de flagrado numa suruba com 25 homens em Bruxelas. Com álcool, danças, cantorias e drogas.

Esse homem de bem é casado com uma juíza, tem uma filha e era respeitado como defensor das coisas certas. Enquanto a família estava na Hungria, ele fazia festas com os amigos em Bruxelas, onde fica a sede do Parlamento Europeu.

Renunciou ao cargo de deputado e acabou admitindo que, apesar de conspirar contra todos os avanços dos costumes e das leis em favor da população LGBT, gosta de transar com homens. Mas disse que não é um drogado.

Quantos sujeitos semelhantes fazem parte da família brasileira de extrema direita e também odeiam gays, negros, índios e tudo que acham diferente e que não presta, mas têm o mesmo perfil do farsante húngaro?

Quantos moralistas canalhas praticam o mesmo extremismo desse barbudo para ganhar votos, obter poder e representar a família brasileira contra o que acham anormal?

Bolsonaristas da mesma laia poderiam ser desmascarados, como aconteceu com József Szájer, se a polícia fizesse batidas em festas e aglomerações de ricos, como aquela de Bruxelas.

Mas no Brasil a polícia só faz blitz em festa de pobre nas periferias, muitas vezes com mortes. Se batesse em aglomerações de bacanas, poderia encontrar gente parecida com o deputado húngaro.

Não gente do padrão da pastora e deputada Flordelis dos Santos. Flordelis não é o exemplo a ser encontrado. A mulher que fazia bacanais junto com o homem que era seu filho e seu marido não serve de exemplo.

Flordelis era uma farsante evangélica, mas de origem pobre. Precisamos encontrar os moralistas da elite, da mesma classe do parlamentar da orgia de Bruxelas. Não por causa da suruba, porque cada um faz o que quer da vida íntima e privada, mas por causa do moralismo cínico.

Os cínicos estão por aí e ainda fazem festas na pandemia. Não são encontrados porque são muito cuidadosos. O fascista moralista bolsonarista e o fascista húngaro não são muito diferentes.

Uma das diferenças é que na Europa eles correm o risco de serem expostos. Aqui, eles não correm risco algum. Aqui o fascista pode ser racista, negacionista, gay enrustido e surubista que não acontece nada.

Aqui, uma família armamentista, que exibe fuzis e metralhadoras como símbolo de virilidade, protege todos os que, por serem inseguros como machos, também usam o cano da arma como defesa.

As surubas dos moralistas no Brasil estão bem protegidas. O fascista brasileiro é um sujeito com salvaguarda governamental.