
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, adotou no domingo um discurso bem mais diplomático em relação aos Estados Unidos, um dia depois de acusar o governo Donald Trump de sequestrar ilegalmente Nicolás Maduro.
Em nota publicada nas redes sociais, Rodríguez afirmou que a Venezuela “aspira viver sem ameaças externas” e tem “direito à soberania”. Em seguida, fez um apelo direto a Washington. Segundo ela, o país convida o governo americano a trabalhar em conjunto em uma agenda de cooperação, voltada ao desenvolvimento compartilhado, dentro do direito internacional, com foco em uma convivência duradoura entre os povos.
Aos 56 anos, Rodríguez foi ministra das Relações Exteriores e vice-presidente durante o governo Maduro. No sábado, após Maduro ter sido retirado do país algemado, ela evitou reconhecer que havia assumido a chefia do Estado, chamando-o de “único” presidente da Venezuela.
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No mesmo dia, ao anunciar a captura de Maduro, Trump declarou que Rodríguez havia conversado com o secretário de Estado, Marco Rubio, e concordado em colaborar com um governo de transição. Horas depois, porém, a líder venezuelana fez um discurso duro, acusando os Estados Unidos de invadir o país e exigindo o retorno de Maduro.
No domingo, Trump voltou a atacá-la publicamente. Em entrevista à revista The Atlantic, afirmou que, caso ela “não faça o que é certo”, enfrentará “um preço muito alto”.
A nova declaração de Rodríguez não incluiu pedido pela libertação de Maduro. Ele e sua esposa, que respondem a acusações relacionadas ao tráfico de drogas, estão detidos em uma prisão federal em Nova York.
Dirigindo-se diretamente a Trump, Rodríguez afirmou que o povo venezuelano e a região precisam de paz e diálogo, não de guerra. Disse ainda que essa sempre foi a posição de Maduro e que continua sendo a posição da Venezuela neste momento. Para ela, o país deve buscar união interna e um futuro de força e estabilidade.
No domingo, o Supremo Tribunal da Venezuela confirmou Delcy Rodríguez como presidente interina do país.