
Autoridades federais de imigração dos Estados Unidos detiveram mais de 10 mil pessoas em cinco dias, em uma escalada ligada à pressão interna no Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA, o ICE, para aumentar o número de prisões de imigrantes que o governo pretende deportar.
Documentos obtidos pelo New York Times e entrevistas com autoridades federais indicam que líderes da agência ordenaram a altos funcionários do ICE que direcionassem mais esforços para detenções. Agentes passaram a prender pessoas em apresentações obrigatórias às autoridades migratórias, abordagens de trânsito e ações nas ruas.
Os números recentes praticamente dobraram a média de cerca de mil prisões por dia registrada no início do ano. Três funcionários com conhecimento das conversas afirmaram que a Casa Branca queria uma alta nas detenções, e um deles disse que a meta de 2 mil prisões diárias passou a ser tratada como novo padrão das ações de fiscalização.
O pico ocorreu no sábado, quando autoridades detiveram mais de 2.400 pessoas. A população sob custódia em centros de detenção do ICE aumentou em quase 4 mil pessoas e chegou a mais de 63 mil sob responsabilidade da agência até terça-feira, conforme documentos internos.

Duas autoridades americanas, sob condição de anonimato, disseram que os principais dirigentes do ICE receberam orientação para garantir o maior número possível de agentes trabalhando sete dias por semana. A diretriz também determinou que 80% do efetivo fosse direcionado a operações de detenção.
A escalada ocorreu sem o mesmo destaque de operações altamente visíveis realizadas no ano passado. O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, havia prometido conduzir uma campanha de fiscalização mais discreta após o caos de uma operação de um mês em Minnesota, na qual agentes federais mataram dois cidadãos americanos.
Lauren Bis, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, defendeu a ofensiva migratória. “Nossa mensagem é clara: se você entrar ilegalmente em nosso país, nós o encontraremos, prenderemos e deportaremos”, afirmou.
A intensificação das detenções provocou temor entre comunidades de imigrantes e entidades de defesa dos migrantes. A apreensão já havia crescido depois que a Suprema Corte decidiu que o presidente americano, Donald Trump, poderia encerrar proteções contra deportação concedidas pelo programa de Status de Proteção Temporária a pessoas de países afetados por desastres naturais e guerras.