Novas denúncias sobre Epstein levam ex-ministro do Reino Unido a deixar Partido Trabalhista

Atualizado em 2 de fevereiro de 2026 às 10:24
O ex-ministro britânico Peter Mandelson. Foto: Reprodução

O ex-ministro britânico Peter Mandelson deixou o Partido Trabalhista após novas revelações sobre seus vínculos com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, acusado de comandar uma rede de prostituição e abusos sexuais. A saída ocorre em meio a reportagens recentes sobre o caso e foi divulgada pela imprensa britânica no domingo (1).

Mandelson afirmou que decidiu se desfiliar do partido, liderado pelo primeiro-ministro Keir Starmer, para não provocar “mais constrangimento” à legenda. No ano passado, ele já havia sido afastado por Starmer do cargo de embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos após revelações semelhantes envolvendo Epstein.

“Neste fim de semana, voltei a ser associado à compreensível polêmica em torno de Jeffrey Epstein, e lamento profundamente isso”, escreveu Mandelson em carta ao Partido Trabalhista.

As novas reportagens citam alegações de que Mandelson teria recebido pagamentos financeiros de Epstein, com base em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Na carta, o ex-ministro afirmou acreditar que as acusações são falsas e disse que pretende apurá-las.

“Para não gerar mais constrangimento ao Partido Trabalhista, decidi renunciar à minha filiação”, acrescentou.

Figura central no sucesso eleitoral dos trabalhistas durante o governo de Tony Blair, a partir da década de 1990, Mandelson voltou ao noticiário no ano passado quando parlamentares americanos tornaram públicos documentos que incluíam uma carta em que ele se referia a Epstein como “meu melhor amigo”. As revelações levaram à sua saída do posto diplomático em Washington.

Epstein foi encontrado morto na prisão em 2019, enquanto respondia a acusações de comandar uma extensa rede de exploração sexual, inclusive envolvendo menores de idade.

Episódios anteriores

A trajetória política de Mandelson já foi marcada por outros episódios. Em 1998, ele renunciou ao cargo de ministro do Comércio após a revelação de um empréstimo recebido de um colega de gabinete para a compra de um imóvel, o que levantou suspeitas de conflito de interesses.

Em 2001, deixou novamente o governo em meio a acusações relacionadas à concessão de passaportes a um bilionário indiano, das quais acabou sendo posteriormente absolvido.

Ex-comissário de Comércio da União Europeia, Mandelson está atualmente licenciado de seu posto na Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento britânico.