Novo líder do Irã teve rosto desfigurado após ataque dos EUA que matou seu pai

Atualizado em 11 de abril de 2026 às 7:27
Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã. Foto: reprodução

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, sofreu ferimentos graves e desfigurantes no rosto e nas pernas durante o ataque aéreo que matou seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, no início da guerra. As informações são da agência Reuters, que ouviu três pessoas próximas ao círculo interno do dirigente iraniano.

O caso amplia a tensão em torno da real capacidade de comando de Mojtaba justamente no momento em que Teerã inicia negociações de paz de alto risco com os Estados Unidos em Islamabad, no Paquistão.

Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, Mojtaba, de 56 anos, se recupera dos ferimentos, está mentalmente lúcido e segue participando das decisões sobre o conflito e sobre acordos internacionais. Ainda de acordo com esses relatos, ele tem feito isso por videoconferência, sem aparições públicas desde o bombardeio de 28 de fevereiro, que atingiu o complexo do líder supremo em Teerã no primeiro dia da guerra iniciada por Estados Unidos e Israel.

O paradeiro exato do novo líder e sua condição real de governar seguem cercados de sigilo. O governo iraniano não divulgou fotos, vídeos nem áudios de Mojtaba desde o ataque e desde sua nomeação, oficializada em 8 de março. A ausência de registros públicos reforça as dúvidas sobre o tamanho das sequelas físicas e sobre o espaço político que ele efetivamente terá dentro do regime em meio à escalada regional.

O ataque que levou Mojtaba ao poder também matou membros de sua família. Além de Ali Khamenei, morreram a esposa do novo líder, um cunhado e uma cunhada. A sucessão ocorreu sob o impacto direto dessa ofensiva, num contexto em que o Irã tenta reorganizar sua cadeia de comando enquanto enfrenta pressões militares externas e negociações diplomáticas delicadas.

Ali Khamenei, assassinado pelo Irã. Foto: reprodução

Os relatos divulgados agora coincidem com avaliações já feitas por autoridades dos Estados Unidos. Em 13 de março, o secretário de Defesa Pete Hegseth afirmou que Mojtaba estava ferido e desfigurado.

Segundo a inteligência estadunidense, ele teria perdido uma perna. A televisão estatal do Irã também sinalizou a gravidade do quadro de forma discreta, ao chamar Mojtaba de “janbaz”, termo usado no país para pessoas que sofrem ferimentos graves em guerras.

Mesmo com a formalização de sua liderança, analistas avaliam que Mojtaba deve ter menos poder do que o pai, que comandou o Irã desde 1989. Para Alex Vatanka, pesquisador do Instituto do Oriente Médio, o regime ainda precisa definir quem de fato conduzirá o país neste novo momento.

“Mojtaba será uma voz, mas não será a voz decisiva. Ele precisa provar ser a voz credível, poderosa e preponderante”, afirmou. A avaliação resume o tamanho do desafio que o novo líder enfrenta: governar um país em guerra, sob segredo, ferido e com autoridade ainda em disputa.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.