
O Brasil chegou a 1.510 cientistas entre os mais influentes do mundo em levantamento elaborado pelo pesquisador John Ioannidis, da Universidade de Stanford, em parceria com a Elsevier. O total representa alta de 3,4% diante dos 1.461 pesquisadores que atuavam no país e integravam a lista em 2025.
Entre os brasileiros mais bem posicionados estão o médico Carlos Augusto Monteiro, da USP, o físico Constantino Tsallis, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, o engenheiro Jayme Garcia Arnal Barbedo, da Embrapa, o epidemiologista Cesar Gomes Victora, da Universidade Federal de Pelotas, e o físico José Marengo, do Cemaden.
A relação também reúne Deborah Malta, da UFMG, e os pesquisadores da USP Pedro Henrique Brancalion, Paulo Artaxo, Mayana Zatz e Ester Sabino. A seleção abrange os 100 mil cientistas com maior número de citações ou os que estão entre os 2% mais bem classificados em suas subáreas.
Mesmo com o aumento no número de representantes, o Brasil permaneceu na 24ª posição global. Estados Unidos lideram com 73.638 cientistas, seguidos por China, com 37.203, Reino Unido, com 18.300, Alemanha, com 10.938, e Austrália, com 8.971.
USP reúne 282 pesquisadores na lista internacional

Pesquisadores de 259 instituições brasileiras de ensino e pesquisa aparecem na edição deste ano. A USP lidera o grupo nacional, com 282 cientistas, seguida por Unicamp, Unesp, UFMG, UFRJ e UFRGS.
Ioannidis utiliza o índice composto c-score, que considera, entre outros parâmetros, citações recebidas como autor único, primeiro autor ou último autor. A base reúne informações da Scopus sobre artigos publicados até o fim de 2025 e distribui os pesquisadores em 20 áreas e 174 subáreas do conhecimento.
O pesquisador afirmou que a divisão por subáreas evita distorções entre campos com volumes muito diferentes de publicações e autores. “Seria injusto comparar cientistas de uma subárea com poucos pesquisadores e poucos artigos publicados com alguém que trabalha em uma área com muitos cientistas, muitos artigos e onde é fácil acumular um grande número de citações”, disse.
O físico Olival Freire Jr., presidente do CNPq, associou o crescimento à recuperação da produção científica após a pandemia e à retomada de investimentos. Ele ponderou que indicadores bibliométricos precisam ser confrontados com outros critérios, como formação de pesquisadores e contribuição para políticas públicas; o investimento brasileiro em pesquisa e inovação passou de 1,28% do PIB em 2015 para 1,19% em 2026.