Nunca tivemos um presidente tão servil aos USA. Por Carlos Fernandes

Jair Bolsonaro presta continência à bandeira dos Estados Unidos em Miami / Reprodução

Jair Bolsonaro ainda nem assumiu, mas já ostenta um recorde de servilismo ao governo dos Estados Unidos que não foi visto sequer na época dos presidentes da ditadura militar.

Estes, que passavam pela vergonha de terem que elaborar relatórios de suas atrocidades ao embaixador norte-americano no Brasil, bem ou mal disfarçavam uma certa soberania, ainda que cínica, para manter pelo menos as aparências.

Eleito, o que Bolsonaro e sua família de desequilibrados fazem é de uma vassalagem que não só nos humilha enquanto nação, mas põe em xeque toda a nossa política internacional e econômica numa parceria em que só um ganha e só um perde.

Isso sem falar no risco que é gerado para a nossa própria segurança nacional ao atrair gratuitamente o ódio e a desconfiança dos povos árabes.

Tudo em prol de migalhas de um reconhecimento que nunca virá por parte de um troglodita como Donald Trump. Sobretudo sabendo-se que os brutos não respeitam quem a eles se subordinam caninamente.

E foi exatamente isso, expressar a sua subordinação canina a Donald Trump, o que Eduardo Bolsonaro foi fazer em Washington.

Usando um boné que exalta o verdadeiro presidente do Brasil a tomar posse no dia 1° de janeiro de 2019, Bolsonaro filho, entre outras estupidezes a que é tão afeito, reafirmou a decisão estapafúrdia de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém.

Trump ri da obediência subalterna com que suas ordens são tão prontamente recebidas e acatadas nessas paragens ao sul da linha do Equador.

E esse é só um item da extensa pauta de “reivindicações” do governo americano que todos nós seremos obrigados a pagar sem qualquer consulta e aprovação prévias do povo brasileiro.

Vexames diplomáticos como a retirada da candidatura única do Brasil para sediar a COP-25 (Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas) em 2019, atesta o descaso com que o país sob Bolsonaro trata o meio ambiente numa franca subserviência aos interesses imperiais norte-americanos.

A entrega definitiva da base de lançamento de foguetes de Alcântara no Maranhão para uso exclusivo dos Estados Unidos é outra medida que deixa claro o quanto nosso território volta a ser o grande quintal dos poderosos.

Sobre as exigências norte-americanas que impediram anteriormente os avanços nas tratativas desse assunto em particular, o reles Bolsonaro não titubeou ao deixar explícito o que pensa de nós nessa relação. Disse ele:

O Brasil não pode exigir muito dos Estados Unidos

Contextualizando a frase, o que o presidente eleito afirmou basicamente é que não considera justo que o Brasil cobre dos Estados Unidos o “favor” que eles estão fazendo em vir aqui explorar os nossos recursos tecnológicos, naturais e humanos de forma obscena e com expressivos ganhos unilaterais.

Afinal, como bem disse em outro momento: “O Brasil precisa saber o seu lugar”.

E “esse lugar”, como já podemos perceber, é o da senzala.

Eis o que nos espera.

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