
Veículos de imprensa como o New York Times e o Washington Post decidiram adiar a publicação de informações sobre a operação dos Estados Unidos que sequestrou o líder venezuelano Nicolás Maduro.
A decisão, segundo o secretário de Estado Marco Rubio, provavelmente evitou a morte de militares americanos.
Rubio agradeceu publicamente à imprensa no domingo por ter mantido silêncio sobre a ação secreta até que as forças dos EUA deixassem a Venezuela em segurança. Ele elogiou os veículos que optaram por cautela em vez de divulgar furos durante uma missão militar de alto risco.
De acordo com o depoimento ao New York Post de uma fonte a par do assunto, o New York Times e o Washington Post foram informados sobre a operação ainda na noite de sexta-feira, antes de seu início, mas optaram por não publicar nada após receberem alertas de que a divulgação poderia expor integrantes das Forças Armadas dos EUA envolvidos na ação.
Nicolás Maduro foi sequestrado em uma operação liderada pelos Estados Unidos conduzida sob sigilo extremo, que incluiu um apagão temporário nas principais redações americanas.
“O principal motivo é a segurança da operação”, afirmou Rubio no programa This Week, da ABC, ao explicar por que a ação foi mantida em segredo. “Isso teria colocado as pessoas envolvidas em sério risco. E, francamente, vários veículos receberam vazamentos de que isso aconteceria e seguraram a informação por esse motivo. Agradecemos por isso, porque vidas poderiam ter sido perdidas. Vidas americanas”, disse o secretário ao apresentador George Stephanopoulos.
As declarações marcaram um episódio incomum de elogio, por parte de um alto integrante do governo, a grandes veículos tradicionais frequentemente atacados pelo presidente Donald Trump como hostis e pouco confiáveis.
A decisão de adiar a publicação sobre a operação foi noticiada inicialmente pelo site Semafor.

Pouco antes do Natal, Trump havia classificado o New York Times como uma “ameaça séria à segurança nacional” após o jornal publicar uma longa reportagem sobre sua relação com o financista Jeffrey Epstein, morto e condenado por crimes sexuais.
A imprensa americana tem uma longa tradição de reter ou atrasar reportagens sensíveis a pedido do governo quando a divulgação é considerada um risco imediato a vidas ou à segurança nacional.
Durante a operação militar dos EUA para sequestrar Maduro, em 3 de janeiro de 2026, houve explosões em Caracas, com fumaça visível na capital venezuelana.
Um dos precedentes mais citados remonta a 1961, quando o New York Times soube antecipadamente da invasão da Baía dos Porcos, apoiada pela CIA, mas aceitou adiar a publicação após alertas do governo Kennedy de que a divulgação poderia comprometer a ação.
Em 2004, o jornal também tomou conhecimento de que o governo George W. Bush autorizava a Agência de Segurança Nacional a realizar vigilância sem mandado sobre comunicações de americanos após os atentados de 11 de setembro de 2001. A publicação foi adiada após apelos da Casa Branca, sob a justificativa de risco às ações antiterrorismo, e só ocorreu em dezembro de 2005, quando o jornal avaliou que as circunstâncias haviam mudado.
Veículos de imprensa americana também coordenaram com o governo Obama antes da operação de 2011 que matou Osama bin Laden, evitando divulgar movimentações militares e atividades de inteligência até o fim da missão. Mais tarde, vários meios reconheceram que sabiam que algo relevante estava em curso, mas optaram por não publicar enquanto tropas americanas ainda estavam no Paquistão.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a censura formal e a cooperação informal entre imprensa e governo eram práticas comuns, com jornais suprimindo rotineiramente informações sobre deslocamento de tropas, partidas de navios e tecnologia militar.