NYT: Agentes do ICE mataram enfermeiro com 10 tiros em 5 segundos

Atualizado em 25 de janeiro de 2026 às 19:28
Uma fotografia de Alex Pretti, de 37 anos, em memorial improvisado na área onde ele foi morto. Foto: ROBERTO SCHMIDT / AFP

Agentes federais mataram o enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, com ao menos dez disparos em menos de cinco segundos durante uma operação do ICE em Minneapolis, no sábado (24). A conclusão consta de uma análise de vídeos verificados pelo The New York Times, que aponta contradições relevantes entre as imagens e a versão apresentada por autoridades federais sobre o episódio.

Segundo a análise, o confronto começou quando Pretti se colocou entre uma mulher e um agente que lançava spray de pimenta. As gravações mostram que ele segurava um celular em uma mão e mantinha a outra vazia, antes de ser derrubado e imobilizado por agentes. A arma atribuída a ele só teria sido localizada depois que já estava no chão, o que contraria a narrativa oficial de que Pretti teria se aproximado com intenção de atacar.

O chefe da Polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, afirmou que pelo menos dois agentes abriram fogo e confirmou que Pretti era cidadão americano, não tinha antecedentes criminais conhecidos e possuía porte legal de arma, permitido no estado de Minnesota. Ainda assim, autoridades federais têm dificultado o acesso da polícia local às provas, enquanto o Departamento de Segurança Interna conduz uma investigação própria com apoio do FBI.

A morte ocorreu em meio a semanas de tensão na cidade, alvo de uma ofensiva migratória intensificada pelo governo Donald Trump. O prefeito Jacob Frey acusou a Casa Branca de “aterrorizar Minneapolis” e questionou quantas mortes seriam necessárias para encerrar a operação. O governador Tim Walz classificou o caso como “repugnante” e pediu publicamente o fim da ação federal.

Trump reagiu nas redes sociais, chamando os agentes de imigração de “patriotas” e atribuindo a responsabilidade pela morte à retórica de autoridades locais. O Departamento de Segurança Interna afirmou que houve “luta armada” e divulgou imagem da pistola que Pretti supostamente portava, alegando legítima defesa, versão repetida por integrantes do alto escalão do governo.

Após o tiroteio, protestos reuniram cerca de 300 pessoas nas imediações, com confrontos e uso de gás lacrimogêneo por forças federais. A Guarda Nacional foi acionada e eventos esportivos na cidade chegaram a ser adiados por questões de segurança. Colegas de trabalho lembraram Pretti como um profissional dedicado, que atuava em UTIs e se envolvia com pautas de justiça social, reforçando o impacto do caso e a pressão por esclarecimentos independentes.