“O 8 de janeiro não acabou”, diz pesquisador da extrema-direita brasileira

Atualizado em 16 de julho de 2023 às 13:41
Bolsonaristas durante atos golpistas de 8 de janeiro. Foto: Eduardo F. S. Lima

O professor João Cézar de Castro Rocha, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), um dos principais pesquisadores da extrema-direita e do bolsonarismo, afirmou, em entrevista ao colunista Chico Alves, do UOL, que o ataque ao ministro do STF Alexandre de Moraes mostra que o 08 de janeiro “não acabou”.

Castro Rocha se dedica há anos ao estudo das estratégias da extrema direita brasileira. Ele analisa que a agressividade dos bolsonaristas está passando do discurso para o enfrentamento físico. “O bolsonarismo passou do limite da possibilidade de convivência na pólis. Ou nós reagimos agora ou as consequências para o futuro serão funestas”, diz o professor.

“O 8 de janeiro não acabou, o ataque a Moraes mostra isso”, afirma o pesquisador, que defende que sejam tomadas medidas rigorosas e céleres contra os agressores.

Professor João Cezar de Castro Rocha. Imagem: Reprodução

Veja abaixo os principais trechos da entrevista, separados por Chico Alves.

Da violência simbólica à violência física

O que aconteceu com o ministro Alexandre de Moraes é a pior demonstração possível. Ele é agredido verbalmente e o filho é agredido fisicamente. O bolsonarismo no Brasil hoje não pode mais ser compreendido apenas como guerra cultural. É preciso entender que com a pandemia o ethos religioso passou a ser dominante, a guerra cultural foi de disputa narrativa para forma de vida.

Quando isso acontece, entramos na esfera da seita. Sendo assim, não há possibilidade alguma para a política. Não há espaço algum para aceitação de qualquer nível de contraditório. Quem discorda é respondido com sarcasmo, que é uma violência simbólica, ou com violência física. Isso quer dizer o seguinte: ou nós tomamos uma atitude em relação a deputados como Gustavo Gayer, André Fernandes, Abílio Brunini, Nikolas Ferreira, Carla Zambelli ou o Parlamento perderá totalmente a legitimidade. O que que nós vamos esperar? Uma nova bomba? (…)

Agressão a Moraes deve ser levada a sério

O bolsonarismo não consegue conviver com a polis, por isso o objetivo dos deputados bolsonaristas é despolitizar a política. Toda atitude do militante bolsonarista é no sentido da agressão. Se esses bolsonaristas fazem isso contra o ministro Alexandre de Moraes, o que não farão comigo ou com você se nos encontrarem na rua? O que eles fizeram com Alexandre de Moraes é uma advertência que nós temos que levar a sério.

O bolsonarismo não mais se entende sobre o conceito de guerra cultural. Por isso o meu livro se chama ‘Bolsonarismo — da guerra cultural ao terrorismo doméstico’. Não é uma frase de efeito, é uma hipótese que eu estou propondo para a sociedade brasileira. O bolsonarismo passou do limite da possibilidade de convivência na pólis. Ou nós reagimos agora ou as consequências para o futuro serão funestas. (…)

Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Nelson Jr.

 

O 8 de janeiro não acabou

Só chegaremos à possibilidade de poder pensar no médio e longo prazo, que sempre inclui educação como eixo, se no curto prazo nós começarmos a adotar uma atitude rigorosa e célere. Se ficar comprovado que houve uma agressão física contra o filho do ministro Alexandre de Moraes, essas pessoas precisam ir para a prisão. Ponto. Acabou. E nós precisamos começar a dizer: não é tenente-coronel Mauro Cid, é tenente-coronel golpista Mauro Cid. Não é General Braga Netto, é general golpista Braga Netto. Não é general Augusto Heleno, é general golpista Augusto Heleno. Se nós não tivermos no curto prazo uma atitude rigorosa, o país pode perder o controle. O 8 de janeiro não acabou, o ataque a Moraes mostra isso.(…)

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