“O Agente Secreto” fica sem Bafta 2026; filme da Noruega leva prêmio de melhor estrangeiro

Atualizado em 22 de fevereiro de 2026 às 18:05
O filme brasileiro “O Agente Secreto”. Foto: Divulgação

O filme brasileiro “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, não conquistou o Bafta 2026 de melhor filme em língua não inglesa neste domingo (22). A estatueta ficou com a produção norueguesa “Valor Sentimental”, drama familiar comandado por Joachim Trier. Considerado o prêmio mais relevante do cinema britânico, o Bafta é visto como um dos principais indicadores da temporada internacional.

Além do longa brasileiro, concorriam na categoria “Sirât”, da Espanha, “Foi Apenas um Acidente”, produção iraniana que representa a França, e “A Voz de Hind Rajab”, da Tunísia. Com o resultado, o Brasil encerra esta edição da premiação sem troféus.

Kleber Mendonça Filho também disputava o Bafta de melhor roteiro original, mas a vitória foi para Ryan Coogler, por “Pecadores”. Outro brasileiro na disputa era o fotógrafo paulistano Adolpho Veloso, indicado pelo trabalho em “Sonhos de Trem”. O prêmio de fotografia, no entanto, foi entregue a Michael Bauman, de “Uma Batalha Após a Outra”.

Na categoria de documentário, Petra Costa concorreu com “Apocalipse nos Trópicos”, mas o troféu foi para os tchecos Pavel Talankin e David Borenstein, por “Mr. Nobody Against Putin”. O resultado manteve a tradição recente de alternância entre produções de diferentes países na premiação.

Os vencedores do Bafta são escolhidos pelos membros da Academia Britânica de Cinema e Televisão, que reúne cerca de 10 mil profissionais do audiovisual e dos games, majoritariamente do Reino Unido. Deste total, aproximadamente 8.300 participam da votação nas categorias de cinema.

Estatuetas do Bafta. Foto: Divulgação

Para integrar a entidade, é necessário ter ao menos cinco anos de experiência na área e pagar uma taxa anual. O processo de votação ocorre em duas etapas. Inicialmente, os votantes são divididos por áreas, como atuação, direção e roteiro, responsáveis por definir as listas preliminares de indicados.

Na fase final, todos os membros votam em seus favoritos para eleger os vencedores. Embora o Bafta seja frequentemente citado como termômetro do Oscar, os resultados nem sempre coincidem.

Nos últimos dez anos, apenas “Oppenheimer”, em 2024, e “Nomadland”, em 2021, venceram tanto o prêmio principal do Bafta quanto o Oscar de melhor filme. Em 2025, por exemplo, “Conclave” levou o Bafta, enquanto o Oscar ficou com “Anora”.

Na categoria internacional, o histórico brasileiro inclui momentos de destaque. “Central do Brasil” venceu o Bafta em 1999, mas não repetiu o feito no Oscar. Walter Salles voltou a conquistar o prêmio britânico com “Diários de Motocicleta”, em 2004, um ano após “Cidade de Deus” vencer melhor edição.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.