O alerta de Requião: PMs podem estar sendo usadas para Bolsonaro endurecer o regime

Roberto Requião. Foto Eduardo Matysiak

Publicado originalmente no Fatos e Comentários do site do Monitor Mercantil

O movimento dos policiais militares em todo o país pode estar sendo provocado ou manipulado por aqueles que querem endurecer o regime, avalia o ex-governador Roberto Requião, em entrevista à coluna. O ex-senador pelo Paraná afirma que os PMs lutam para obter o mesmo aumento que o governo deu para os altos oficiais das Forças Armadas, mas ressalta que greve de policiais é ilegal e condena os atos de violência.

Senador, como o Sr. vê o movimento dos PMs, que resultou no ataque a tiros ao senador Cid Gomes, no Ceará?

– São atos absolutamente inaceitáveis. O que ocorreu no Ceará acontece com frequência contra professores e demais trabalhadores, sem a mesma indignação. Gosto da coragem do Cid Gomes, que tem todo meu apoio, apesar de ter sido um ato de temeridade agir contra policiais armados e exaltados. Ele foi vítima de uma tentativa de assassinato.

O Sr. acredita que a movimentação dos PMs pelo país é uma reação à política recessiva do ministro Paulo Guedes?

– Não sei se é reação ou é provocado por eles, há muita manipulação a partir da insatisfação concreta da PM. Estamos sob risco do caos. O liberalismo não deu certo em lugar nenhum no mundo. Pode estar havendo manipulação para levar a um endurecimento do regime.

A declaração do general Heleno contra o Congresso vai neste sentido?

– O general quer entregar o Brasil sem pagar comissão aos congressistas corruptos. Rodrigo Maia quer a mesma coisa, mas pagando comissão.

Nesse quadro, como o Sr. vê as alternativas para o Brasil?

– A proposta de uma frente ampla com os liberais me assusta. A ideia atende aos interesses internacionais, especialmente dos Estados Unidos. Significa consolidar o neoliberalismo no Brasil, a venda da Petrobras, a privatização da água. Afasta o Bolsonaro e alguns integrantes do governo para colocar alguém mais palatável, que terá aplausos da Globo e da Folha.

Sou favorável a uma frente popular, nacionalista e democrática, que tenha como centro o desenvolvimento do Brasil e a anulação dos atos lesivos contra o país.

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