O alerta do Itamaraty após brasileiros morrerem na Ucrânia

Atualizado em 13 de fevereiro de 2026 às 11:51
Brasileiros na guerra: Da esquerda para a direita estão Bruno Samurai, Rafael Ben, Rafael dos Santos Leite, Carlos Cândido e um militar ucraniano. Foto: Reprodução

O Itamaraty recomendou “fortemente” que brasileiros recusem convites para lutar em conflitos globais e integrar exércitos estrangeiros, diante do aumento de mortes e desaparecimentos de nacionais em guerras no exterior. O alerta foi divulgado nesta quinta-feira (12) pelo Ministério das Relações Exteriores, que destacou os riscos extremos e a limitação da assistência consular nesses casos.

No comunicado, a pasta mencionou o crescente “número de casos de nacionais brasileiros que perdem suas vidas” em combates fora do país. Segundo o governo, 22 brasileiros morreram lutando contra a Rússia, e 44 estão desaparecidos.

O texto também ressalta que a ajuda consular é restrita, especialmente por causa de cláusulas presentes nos contratos firmados pelos envolvidos.

O ministério advertiu ainda que quem participa desse tipo de atividade pode responder judicialmente não apenas em tribunais internacionais, mas também no Brasil, já que o Código Penal estabelece que “estão sujeitos à lei brasileira os ilícitos cometidos por cidadão brasileiro, ainda que em território estrangeiro”.

Relatos de violência e promessas enganosas

A recomendação ocorreu após o programa Fantástico, da Rede Globo, exibir relatos de brasileiros que atuaram como mercenários ao lado do regime de Kiev e descreveram situações de tortura, fome e riscos extremos.

Segundo esses depoimentos, muitos foram atraídos por promessas de altos salários — como ofertas de “50 mil” em grívnias — e acabaram enfrentando bombardeios, falta de treinamento, escassez de alimentos e violência contra quem tenta deixar o front.

Os que conseguiram retornar ao Brasil relatam traumas psicológicos após a experiência. O governo reforça que a participação em conflitos estrangeiros envolve riscos severos e pode trazer consequências legais e humanitárias duradouras.