O aliado de João Doria que está no encalço de Bruno Covas. Por José Cássio

Milton Leite e Bruno Covas. Foto: Prefeitura/Divulgação

Milton Leite, presidente da Câmara Municipal de São Paulo, é um nome para você ter no seu radar.

O vereador de seis mandatos pelo DEM, que começou a vida de calça rasgada e chinelo havaiana organizando ambulantes e movimentos populares na zona Sul, e que hoje ostenta uma riqueza de fazer inveja a qualquer milionário da cidade, é o homem por trás de dois projetos de poder no Estado: a reeleição de Bruno Covas na capital em 2020 e a tentativa de João Doria chegar à presidência de república em 2022.

Lembra que recentemente contamos que o objetivo do núcleo duro de João Doria era tutelar a gestão de Bruno Covas garantindo um mínimo de governabilidade para que o prefeito não chegue despedaçado à sua reeleição em 2020?

Doria e Milton Leite. Foto: Blog do PPS

Milton Leite desponta como um dos artífices dessa estratégia.

Detém o controle quase absoluto da máquina administrativa, a partir da presidência do Legislativo e do comando do orçamento municipal, e é a liderança hoje com maior trânsito nos bairros da periferia para devolver a João Doria a credibilidade perdida junto aos eleitores após os escândalos (cadê a prova de que o vídeo da farra com as seis prostitutas é fake?) e factoides perpetrados pelo gestor.

A mais recente demonstração de força do vereador veio nesta segunda, 3, quando Doria anunciou seu braço direito, João Octaviano Machado Neto, para a secretaria de Logística e Transportes do Estado.

João Octaviano, que era secretário municipal de Transportes, é engenheiro civil e já esteve à frente da CET, Prodam, além de ter atuado como secretário municipal de gestão e, também, chefiado a pasta de Serviços e Obras.

Do Estado, vai atuar em conjunto com o indicado por Bruno Covas na capital.

Ligado às cooperativas e ao setor de Transportes, e com atuação na zona Sul da capital (reza a lenda que ninguém circula naquela área sem que ele saiba), Milton Leite se aproximou de Doria quando ajudou o gestor a se projetar entre os eleitores da região em 2016.

Pragmático, pediu uma única coisa em troca: que, se eleito, o prefeito não se envolvesse na escolha do presidente do Legislativo.

Doria cumpriu a promessa, rifou Mário Covas Neto, o Zuzinha, candidato do PSDB, e teve em Milton Leite um aliado para aprovar tudo o que quis no seu curto período na prefeitura.

Agora, no segundo turno da eleição para o governo do Estado, quando foi abandonado pelo PSDB, inclusive por Bruno Covas, foi Milton Leite quem pegou Doria pela mão e ajudou a minimizar os efeitos do incrível desgaste do gestor na periferia da capital.

Mais uma vez foi pragmático: colocou por conta própria, sem pedir um tostão a Doria, 500 cabos eleitorais nas ruas durante as três últimas semanas de campanha.

Conseguiu reeleger dois filhos – um para a Assembleia Legislativa e outro para a Câmara dos deputados, e ainda viu dois adversários diretos fracassarem nas urnas: Antônio Carlos Rodrigues, o ACR, suplente de senador de Marta Suplicy e ex-ministro dos Transportes de Dilma, e Antônio Goulart – ambos perderam a eleição para deputado federal.

No segundo mandato como presidente do Legislativo paulistano, Milton Leite tem reclamado de cansaço.

Muitos suspeitam que ele não quer disputar o sétimo mandato. E que estaria preparando terreno para ser candidato a vice na chapa de Bruno Covas em 2020.

Seria reeditar, no plano municipal, o que acontece com Bolsonaro, capitão raso da reserva que tem um general, Hamilton Mourão, no seu encalço na condição de vice.

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