
O casal mais midiático do Brasil desde Neymar e Bruna Marquezine — Ana Castela e Zé Felipe — anunciou a separação, e a internet simplesmente não fala de outra coisa.
O público do sertanejo universitário é, aliás, predominantemente burro. Cai como patinho na novela encenada da vida alheia, consumindo cada capítulo como se fosse realidade crua, quando não passa de dramaturgia digital.
É até possível entender. O mundo interior dessa audiência não é vasto, o repertório artístico é quase inexistente, e música, para essa galera, resume-se a letras monotemáticas — chifres! — embaladas sempre pela mesma melodia cansativa, previsível e insistente.
Por isso é tão fácil manipular fã de sertanejo universitário e blogueira fitness. Justamente por suas limitações cognitivas, tornam-se o público ideal para casais que se juntam não para viver algo real, mas para jamais saírem da mídia. E eles sabem muito bem o que estão fazendo.
Criam polêmicas em torno de si mesmos para render ibope. Alimentam o algoritmo com brigas, reconciliações, términos e indiretas cuidadosamente calculadas.
Pode-se dizer que se juntaram para esquecer ex, mas o buraco é bem mais embaixo. Essas figuras planejam milimetricamente as próprias vidas — absolutamente desinteressantes fora do espetáculo — para angariar público e seguidores. O roteiro se repete, como no caso de Virgínia Fonseca, ex de Zé Felipe (sim, a que divulga tigrinho), que convenientemente engatou um romance com um jogador famoso às vésperas da Copa do Mundo.

Coincidência? O cheirinho de interesse numa “carreira” internacional é difícil de ignorar.
O fato é que essas pessoas — quanto menos autênticas, mais bem-sucedidas — transformam a própria vida em um espetáculo encenado no Instagram. Ana e Zé Felipe são apenas exemplos didáticos desse fenômeno.
Eles, especificamente, adoram posar de simplões, comendo torresmo para a câmera, enquanto aguardam o jatinho particular.
A estética do “gente como a gente” cuidadosamente produzida para quem jamais terá acesso a esse mesmo luxo.
Assusta perceber como personagens de Instagram — sobretudo os mais vazios — conseguem capturar e manter um público menos qualificado intelectualmente, garantindo que essa audiência permaneça presa à completa alienação.
A verdade mais visível não tem a ver com amor ou dramas humanos, mas com um teatro contínuo, meticulosamente roteirizado para manter uma massa entretida, emocionalmente dependente e intelectualmente anestesiada.
E enquanto o público confunde espontaneidade com estratégia de marketing, esses personagens seguem faturando alto ao transformar o vazio em narrativa e a mediocridade em espetáculo — prova definitiva de que, na economia da atenção, quanto menos conteúdo real, maior o engajamento.