O banquete do coronavírus na selva de Roberto Justus. Por Moisés Mendes

Roberto Justus. Foto: Wikimedia Commons

Publicado originalmente no blog do autor

É maior e mais ‘científica’ e articulada do que se pensa a turma de Roberto Justus, o publicitário, empresário e apresentador de TV que foi assunto nas redes sociais por denunciar a mobilização contra a pandemia como um exagero.

Justus é rico, é forte, é bonito, é tudo o que os liberais brasileiros admiram. É mais do que um empresário perfeito, é um homem perfeito, um canastrão, um fodão.

Ele diz ter amor às estatísticas e defende o seguinte raciocínio: tentar frear a peste com distanciamento social e a consequente paralisação da economia é um absurdo, porque os danos econômicos serão maiores do as perdas com mortes, se deixassem o surto avançar sem muitos controles.

Tem muita gente nessa linha do extermínio como purificação ainda no século 21. O raciocínio não é liberal, é mais do que isso, é primitivo.

Gente como Justus, o véio da Havam, o véio do Madero e outros acham que ciência, medicina, compromisso, ética, responsabilidade, tudo pode ser deixado de lado em nome da economia. Eles são pré-Bolsonaro.

Na cabeça científica deles, funcionaria assim. A pandemia avançaria, como uma “gripezinha leve”, com suportes de proteção apenas para velhinhos e doentes (nas palavras de Justus), e a limpeza seria feita pela eliminação dos que não conseguem sobreviver. Uma faxina. E a economia voltaria ao normal.

É uma tese idiotizante. O descontrole da epidemia, sem medidas de contenção, criaria um outro mundo, talvez ingovernável, com o caos destruindo as cidades e a economia que Justus quer preservar.

Na cabeça imbecil da elite que Justus representa, o descontrole se autodeterminaria, como querem os neoliberais, em todas as áreas, até que em algum momento, depois da matança, sobrariam os mais aptos que mereceriam sobrar.

Justus disse numa entrevista, em que tenta consertar o aúdio do Whats, ter informações seguras sobre o funcionamento dessa tática selvagem em nome da salvação da economia, mas que só podem ser lidas se o interessado “tiver um bom inglês”.

Gente como Justus ainda se acha privilegiada por ter acesso a informações que considera secretas e que ninguém tem, quando isso não existe mais.

O tempo da informação de interesse geral disponível apenas a grupos fechados é uma fantasia da elite de Justus. Só há informações fechadas das tramoias do mercado financeiro, das máfias, do tráfico de armas e de guerras.

É difícil que ela saiba coisas sobre a dinâmica das pandemia que a maioria das pessoas não possa saber. Talvez saiba em outras áreas, mas aí a conversa é outra.

Justus diz que seria bom se o vírus entrasse nas favelas, para que as pessoas ganhassem anticorpos. Ninguém da favela vai morrer, assegura ele, com ar de superioridade científica.

Roberto Justus é um bárbaro. Na selva ideal em que ele gostaria de viver, sem controles, sem compromisso social, sem empatia, sem afetos, sem médicos e enfermeiros humanistas, a pandemia sem lei faria um banquete.

Sobe o morro e vai dormir na favela à espera do coronavírus, Roberto Justus.

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