O bolsonarista negacionista é um imbecil pela metade. Por Moisés Mendes

Bolsonaristas em São Paulo. Foto: Reprodução/TV Globo

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Por Moisés Mendes

São muitos os fatos que oferecem argumentos para o questionamento do pretenso apoio incondicional a Bolsonaro, mesmo que esse apoio seja cada vez mais precário e certamente abaixo de um terço da população.

Bolsonaro não consegue criar seu partido, precisou alugar o apoio do centrão e não convence a população com suas ideias negacionistas.

Se convencesse, o consumo de cloroquina teria disparado. Ninguém quer saber do remédio milagroso oferecido gratuitamente pela extrema direita como negócio ainda não bem esclarecido.

Mas o dado mais revelador dos limites de Bolsonaro como guru ou influenciador é o que expressa o desejo da população de se vacinar. O brasileiro, ao contrário de muitos outros povos, quer se imunizar.

Bolsonaro desqualifica as vacinas, não usa máscara, condena as medidas de contenção de Estados e municípios e prega abertamente suas posições negacionistas radicais.

Mas apenas 5% da população, segundo pesquisa do Datafolha de 13 de julho, não querem se vacinar. Muitos esperavam que fosse mais, mas
são apenas esses 5%.

O economista José Roberto Mendonça de Barros escreveu domingo no Estadão sobre o comportamento que pode travar a economia. A rejeição à vacina é de uma ameaça para a saúde pública e para a economia.

A variante Delta complica a vida de todo mundo, mas não complicaria tanto se as pessoas estivessem mais dispostas a se vacinar. Ele cita três casos assustadores.

Nos Estados Unidos, 25% da população não quer e diz que não vai se imunizar. Na França, são impressionantes 41% e na Polônia a situação é pior ainda, com 44%.

O que impressiona mesmo é a situação da França. O centro do iluminismo do século 19 é no século 21 o núcleo do negacionismo na Europa. Os franceses conseguem ser mais negacionistas do que os sulistas americanos.

Mendonça de Barros observa que a ameaça à recuperação da economia é o contágio dos não-vacinados. As pessoas estão adoecendo, reduzindo produtividade e morrendo porque rejeitam a vacina.

A realidade brasileira do bolsonarismo chega a ser contraditória. Bolsonaro mantém sua base, até consegue mobilizar boa parte dos seus seguidores para o enfrentamento das instituições, mas não convence totalmente como negacionista.

A população sabe que Bolsonaro é uma gambiarra da extrema direita, que deve ser usada como escudo contra Lula, o PT e as esquerdas. Mas sabe também que o sujeito é apenas isso.

Resumindo, os 20% a 30% que ainda sustentariam Bolsonaro o aceitam como bucha de canhão, mas não como inspirador dos seus comportamentos.

O brasileiro médio apoiador de Bolsonaro pode ser antitudo e até fascista, mas não é um imbecil completo, no sentido de fazer cegamente o que Bolsonaro manda que faça. O bolsonarista negacionista é um imbecil pela metade.