O Brasil do golpe escarrou Wladimir Costa, o primeiro ministro de Temer. Por Kiko Nogueira

WC

Se existe alguém que resume o freak show da votação da denúncia contra Temer na Câmara é o deputado Wladimir Costa.

Wladimir é Macunaíma, o herói sem nenhum caráter que chegou lá montado num golpe, no fisiologismo, na rapinagem e numa tatuagem de henna ridícula.

A miséria humana do Congresso foi quase tão pior quanto a do impeachment de Dilma. 

A fraude da “pedalada fiscal” vai ficando cada vez mais patética. A caixa de Pandora foi aberta e a porta para o vale tudo institucional não vai fechar tão cedo. Vivemos um semiparlamentarismo vagabundo, padrão Congo Belga.

Faltou o povo, que ficou em casa. Mas Wladimir tinha sua plateia. E brilhou.

Seu discurso provocou tumulto no plenário. Pediu “vergonha na cara” à oposição, chamou o PT de organização criminosa, oposicionistas de “imorais” e “incompetentes” e falou que eles precisam “lavar a boca com soda cáustica”.

“O Temer é um homem ético, transparente, tem história, tem preparo”, gritou.

“Vocês? Derrubar Temer? Cinegrafistas, nos mostrem. Porque quem é Temer mostra a cara e até tatua o nome aqui no ombro”. Detonou as pesquisas que colocam o chefe na margem de erro.

A confusão aconteceu quando ele apareceu com um pixuleco de Lula nas mãos ao lado dos colegas. Petistas foram para cima. Paulo Teixeira furou um dos bonecos a dentadas.

Seguranças foram acionados para conter o tumulto, que por pouco não termina em pancadaria. 

Nos momentos de relaxamento, WC trocava mensagens no WhatsApp com seu eleitorado. O fotógrafo Lula Marques, novamente, não piscou e flagrou a conversa. “Mostra a sua bunda”, diz ele a sua interlocutora (veja as imagens abaixo).

Costa está em seu quarto mandato. Em 2014, foi o sexto mais votado do Pará, com 141 213 votos. No mês passado, contou abertamente como faz para conseguir verbas do governo federal: faz “cara de coitadinho”.

“Somente alguns parlamentares hipócritas não vão assumir, mas é óbvio que, após a reunião com o presidente, a gente vem com aquela história: ‘mas, presidente, eu gostaria de trazer demandas do estado, do município, do governo do estado’. A gente aproveita o barco e pede”, disse ao Globo.

De acordo com a ONG Contas Abertas, WC já levou, desde janeiro, 7 milhões de reais em emendas.

É réu no STF por peculato, acusado, junto com seu irmão, Wlaudecir Antônio da Costa Rabelo, de ter ficado com dinheiro do salário de servidores fantasmas de seu gabinete entre 2003 e 2005.

Teve o mandato cassado pelo TRE paraense por arrecadação e gastos ilícitos em sua campanha eleitoral.

Wladimir é Michel, que é Cunha, que é Maia, que é o golpe.

O país desistiu e quem manda é ele, batendo o mão no peito, orgulhoso de defender um pústula — enquanto do lado de fora não tem ninguém falando nada. 

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