O Brasil e Lula hoje: Quem tem mais condições de derrotar a direita? Por Emir Sader

A trajetória do Lula é a trajetória mais virtuosa da esquerda brasileira. Nascido da resistência operária à ditadura, protagonizou a fundação do mais importante partido da história da esquerda brasileira – o PT – e da fundação dos movimentos sociais que enraizariam a esquerda no povo brasileiro – CUT, MST, entre outros.

Depois de liderar a resistência ao neoliberalismo dos anos 1990, Lula passou a ser o candidato fundamental da esquerda à presidência do Brasil. Depois de três derrotas, Lula ganhou em 2002 e foi o presidente mais importante da história política do Brasil, forjando o tipo de governo que a esquerda tem a propor ao país. Foi a imagem vitoriosa e de sucesso da esquerda brasileira, que chegou à vida e à consciência da grande maioria da população, deixando a presença do Lula arraigada na vida do pais, na vida da pessoas e na memória destas.

Lula promoveu a eleição da primeira mulher presidenta do Brasil, participou da reeleição dela, e foi, junto com o PT e a esquerda, vítima do golpe com que a direita recuperou o governo e colocou em prática a estratégia híbrida que caracteriza a estratégia das forcas da direita. Lula foi vítima privilegiada dessa ofensiva repressiva e de judicialização a política, sendo preso e condenado sem provas. Resistiu e saiu mais forte ainda, moral e politicamente, pela dignidade com que enfrentou a prisão e segue enfrentando as acusações ainda vigentes.

Lula ficou, definitivamente, na história e na consciência dos brasileiros como quem fez o melhor governo, que deu certo, que mostrou que o Brasil pode dar certo. Ganharia no primeiro turno em 2018, se não tivesse sido condenado e preso, sem nenhum fundamento legal. Nenhum outro dirigente político brasileiro, nem se longe, se aproxima da trajetória e da marca que o Lula já deixou na história política do país e na consciência popular.

E agora, o que mudou na situação do Brasil e do Lula?

Lula sempre disse que preferia outra candidatura para 2022 que não a dele. Diante da impossibilidade da sua candidatura em 2018, apoiou o Haddad. Nunca reivindicou o justo direito de voltar a ser ele o candidato. Disse que assumiria a candidatura dele, se seu nome fosse o único que tivesse possibilidades de ganhar. Em um dos seus últimos pronunciamentos, mostrou disposição de colocar seu nome à disposição para as eleições de 2022.

Terminadas as eleições municipais, começa o cenário politico das eleições de 2022. Está claro que a direita está entre o próprio Bolsonaro, o Doria pelo PSDB, o Huck pelo DEM, alguém outro pelo PSD, e uma lista de gente que fica sentada no banco de reserva, com esperança de serem chamados para ser um novo Bolsonaro, caso este não chegue lá em boas condições. Moro está entre eles.

Nas esquerdas, está claro que o PT terá um candidato, seja Lula, Haddad ou Jaques Wagner. O eixo PDT-PSB terá o seu, provavelmente o Ciro. Isso o que parece claro para 2022.

Quem tiver mais votos no primeiro turno, recebe o apoio do outro no segundo. Isto, se tudo correr como deveria, com a prioridade de derrotar o Bolsonaro ou quem seja o candidato da direita, com a unidade da esquerda no segundo turno.

No PT, qualquer das candidaturas pode ser a escolhida. Na minha opinião, se o Lula puder ser candidato, ele deve ser o candidato do PT. Ele é insubstituível como dirigente, que aparece para a maioria do povo pelo melhor governo que o país já teve, o que melhorou como nunca a vida  das pessoas, que elevou a auto estima dos brasileiros e a imagem do Brasil no mundo.

As pesquisas sempre mostram que ele é o candidato da esquerda em melhores condições. E as eleições de 2022 são tão decisivas para o futuro do país, talvez por toda a primeira metade do século, que temos que concorrer com que tem as melhores possibilidades de triunfar. Todos os outros aparecem nas pesquisas misturados com outros candidatos, da esquerda e da direita.

A experiência de 2018 mostra que, com tempo e em condições mínimas de democracia, que impeçam as operações monstruosas montadas para levar à vitória de candidato a extrema direita, um outro candidato pode disputar pelo PT e chegar a vencer. Embora, o único nome que, em qualquer circunstância, é favorito para vencer é o Lula que, portanto, deve ter prioridade no PT.

Ainda que não fosse ele, por qualquer circunstância, Lula deve ser o coordenador das decisões sobre candidaturas. Quem quer que ele seja, tem que ser o candidato do Lula, única forma de ter viabilidade de vitória.

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Publicado originalmente no facebook do autor.

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