O Brasileirão da Judicialização. Por Miguel Paiva

 

Originalmente publicado em JORNALISTAS PELA DEMOCRACIA

Por Miguel Paiva

A partida entre o STF Futebol Clube e a Associação Esportiva e Apoplética Bolsonaro vem sofrendo prorrogações intermináveis e o VAR está sendo utilizado praticamente a cada jogada. Na realidade o placar diz tudo. A goleada que se mantém provoca reações desesperadas no time perdedor: tentativas de viradas de mesa, agressões, golpes baixo e tapetões, mas até agora o time formado por 11 juízes do Supremo, mesmo com um ou dois jogadores que destoam do resto, vem fazendo bonito. É um time que joga com o regulamento, no caso, a constituição, debaixo do braço. O time adversário quer mesmo é fazer picadinho do regulamento.

Eu, como público, tenho gostado de assistir as partidas. Algumas jogadas, como as do meia esquerda Gilmar, são muito elaboradas, cheias de firulas e ele custa muito a passar a bola. Mas o público gosta de ver. Outros se livram da bola rapidinho como o apoiador Toffoli que não fica nem um segundo com ela nos pés e quando o jogo acaba não explica suas jogadas.

Mas esse time do Bolsonaro é um time de várzea que usa da violência, da brutalidade e das agressões gratuitas para tentar avançar. Toda hora ameaça abandonar o jogo democrático e dar um golpe de estado usando o cartão amarelo, nunca o vermelho, para expulsar o time adversário e jogar sozinho a partida.

Mas há controvérsias. O resto da confederação se agita. O Senado se vê obrigado a abrir investigação a respeito da cera que o time Bolsonaro vem fazendo no jogo contra a Covid. O Congresso está pressionado a assumir uma posição em relação aos recursos pouco democráticos que os cartolas bolsomínions assumem com atitudes hostis, jantares faraônicos e comportamentos de risco não respeitando as regras do futebol durante a pandemia.

A imprensa político-esportiva vem acompanhando o campeonato com um certo distanciamento social. Muitos comentaristas mudaram de opinião no período e hoje pedem logo a punição ao time Bolsomínion. Outros comentaristas tentam explicar as jogadas como se isso fosse possível ou como se certas atitudes estivessem previstas no código esportivo.

Não é possível encarar como normal o excesso de carrinhos, cotoveladas, mãos na bola e cusparadas na cara que vem acontecendo. O nobre esporte grego chamado Democracia não prevê esse tipo de atitude. Teme-se também pela virada de mesa e a criação de um novo campeonato onde só um time venceria. As bandeiras já estão balançando ao vento, a torcida chega em carros importados e, sem usar máscaras, exibe a expressão de ódio e violência que a caracteriza.

Curioso é que se este campeonato vingasse um dia o público estaria longe de poder torcer pelo seu time. Campeonato de time único me cheira a marmelada assim como esse time de pernas de pau só está em campo porque o time do STF apoiado pela torcida institucional é bem devagar no contra-ataque. Mas a goelada vai fazendo história e apesar do famoso 7 a 1 da Alemanha contra a nossa seleção, qualquer 10 a 1 ou 9 a 2 no STF, nos traz grandes esperanças.

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