O cálculo de Lula para ter maioria no Congresso

Atualizado em 31 de outubro de 2026 às 15:39
Lula
O presidente Lula (PT). Foto: Adriano Machado/Reuters

O governo estima que a base de Lula na Câmara terá cerca de 200 deputados fiéis a partir de 2027 e vê pouco mais de 100 parlamentares em disputa para construir maiorias. Na avaliação do Planalto, a oposição mais resistente ao presidente terá tamanho semelhante ao da base fiel.

Entre os dois grupos, os pouco mais de 100 deputados considerados negociáveis pertencem sobretudo ao centrão e deverão definir seu posicionamento conforme o tema em votação. O cálculo da articulação política foi relatado neste sábado (31) pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

Esse grupo é visto como mais suscetível à pressão da opinião pública, aos interesses locais e à liberação de emendas parlamentares. A aposta do governo é conseguir ampliar o apoio apesar do crescimento da direita no Legislativo. Os números são uma projeção e não apresentam uma relação nominal dos integrantes de cada grupo.

O presidente Lula na Câmara dos Deputados. Foto: reprodução

Em uma Câmara de 513 cadeiras, leis complementares precisam de 257 votos favoráveis. Tomando como referência a estimativa de 200 aliados fiéis, seriam necessários cerca de 57 apoios adicionais. Para emendas à Constituição, o patamar sobe para 308 votos favoráveis em cada um dos dois turnos, o que exigiria aproximadamente 108 votos além dessa base estimada.

Projetos de lei ordinária seguem outra regra: são aprovados por maioria simples dos votos, com a presença de pelo menos 257 deputados. Por isso, a quantidade de apoios que o Planalto precisará reunir dependerá tanto da proposta quanto da participação dos parlamentares na votação.

No Senado, a avaliação é de uma situação mais difícil devido ao avanço dos partidos de direita. Ainda assim, o governo considera possível manter diálogo até com integrantes do PL que têm trajetória de centro. Reinaldo Azambuja (MS) e Domingos Sávio (MG) aparecem entre os nomes vistos como mais abertos à interlocução, assim como representantes do União Brasil e do PP.

A busca por aliados já inclui conversas do governo com o PSD para ampliar a relação no quarto mandato. O presidente do partido, Gilberto Kassab, admitiu uma aproximação “mais profunda”, mas a vinculou à adoção de medidas econômicas e a uma sinalização ao centro.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!