O câncer e o câncer de Bruno Covas. Por Ruy Nogueira

Bruno Covas. Foto: Wikimedia Commons

Por Ruy Nogueira

Nos países mais desenvolvidos política, social e economicamente, a vida dos candidatos é debatida nas campanhas eleitorais sem qualquer reserva. Partem do pressuposto de que se você quer servir ao povo, não pode ter segredos.

No Brasil, infelizmente, nos furtamos a tão saudável e necessária prática. Até as pedras do lago do Ibiraquera sabiam da precária saúde de Bruno Covas.

E até os dejetos dos rios Tietê e Pinheiros conheciam a ficha suja do seu vice, Ricardo Nunes, um tipo obscuro, acusado pela esposa de espancamento, processado por desvios de dinheiro público em creches municipais, participante de manifestações fascistas, ligado ao submundo da politicalha paulistana.

Nem Guilherme Boulos, em quem votei e apoiei, teve a sensibilidade e coragem de tocar no tema. Errou. Para muito além do determinismo biológico do prefeito de #saopaulo – ao qual, é óbvio, lamentamos – ficará sua herança maldita: um governicho sem obras, aumento absurdo de salários para ele, o vice e os vereadores, além do fim do passe livre para grande parte dos idosos (que burramente votaram nele).

Há que se colocar o interesse público à frente de dramas pessoais. Faz-se necessário discutir a biografia e as circunstâncias de cada candidato.

O câncer mais brutal não é o que está matando Bruno Covas. É o que ele nos deixará em seu lugar.

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