O chororô da seleção: quem está precisando de análise?

Buá
Buá

 

Se éramos 198 milhões de técnicos, agora somos 198 milhões de terapeutas em ação, pra frente Brasil, do meu coração.

Neymar negou em coletiva que o time esteja passando por uma crise emocional. “Eu estou bem, recuperado. Sobre o emocional, ninguém está com problema. Está todo mundo bem. Cada um tem sua emoção. Estamos todos bem, preparados para enfrentar a Colômbia e se Deus quiser passar de fase”, disse ele, aparentemente bem. Aparentemente.

Comentou também sobre a psicóloga Regina Brandão. “Eu nunca havia feito e estou gostando bastante. Não somos só nós, do futebol, envolvidos com emoção todos os dias, que temos de fazer psicologia. Estou aprendendo muito e espero continuar fazendo.”

As lágrimas derramadas por essa seleção poderiam reabastecer o Sistema Cantareira. Os atletas choram antes do hino, durante o hino, depois das partidas, nos treinos, sabe-se lá onde mais. Júlio César chorou ANTES de defender os pênaltis contra o Chile — e posteriormente. Thiago Silva, o capitão, pediu para não bater por último, abrindo o berreiro. Neymar desabou após fazer o dele. David Luiz, Fred, Willian… É difícil citar um que não tenha encharcado a camisa.

É evidente a pressão sobre o time. É relativamente normal que haja uma descompressão. Relativamente. Carlos Alberto Torres, capitão de 70, não perdoou ninguém.

“Sinceramente, nunca vi isso, nem mesmo na vitória ou nas grandes decisões. Falam que é a pressão pelo fato de jogar em casa. Mas deveriam ter se preparado para isso. Sabiam que passariam por isso. Cadê a psicóloga?”, falou para o Extra. “Isso mostra que o time não está 100% preparado para encarar uma Copa do Mundo. Quando você se prepara para ganhar, tudo acontece automaticamente. Quando não está preparado, você chora quando o resultado não é positivo. É o que está acontecendo agora”.

Não há perdão para o choro patético, estamos combinados. 

Agora.

E se fosse o contrário? Vamos lembrar da seleção de 2006, um exemplo de animação, alto astral e, em alguns momentos, frieza blasé. Uma das cenas emblemáticas foi a do lateral Roberto Carlos ajeitando olimpicamente o meião enquanto a bola o sobrevoava na direção de Thierry Henry.

Um grupo de baladeiros alegres. No final da partida contra França, foram cobrados pela razão oposta à que assistimos hoje: ninguém se emocionou, ninguém pareceu lamentar nada.

A diferença estará na vitória ou na derrota. Se o Brasil passar pela Colômbia, a choradeira da equipe será símbolo de comprometimento, superação, parte do caráter nacional, um povo à flor da pele. Homens que se entregam sem medo. Um time de — o clichê mais idiota dos últimos tempos — guerreiros. Guerreiros sensíveis.

Se o Brasil for despachado, você já sabe: um bando de moleques desequilibrados, milionários mimados, maricas, frágeis garotos que não honram a amarelinha, crianças ricas que não servem para engraxar as chuteiras do grande Didi etc etc.

Podia ser pior. Eles podiam estar dando dentadas nas nucas dos zagueiros. Somos 198 milhões de psicoterapeutas — precisando de análise.

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