
Segundo a primeira pesquisa Datafolha deste ano no Ceará, Elmano de Freitas tem 60% de aprovação.
Se chegar à campanha com esse mesmo prestígio junto ao eleitorado cearense, a tarefa de Ciro Gomes de derrotar o PT não será tão simples quanto imagina.
No mesmo instituto, na pesquisa mais recente de março, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aparece com 64%, nível que o coloca como praticamente imbatível no estado e transforma a candidatura de Fernando Haddad em “sacrifício”.
O dado mais expressivo aparece entre os eleitores acima de 60 anos, onde Elmano alcança 71%, número que corresponde a quase 1 milhão de cearenses da idade gloriosa aprovando o governo. Dois terços dos eleitores cearenses com mais de 60 anos são mulheres, e é justamente entre elas que Elmano encontra uma de suas maiores forças, com 65% de avaliação positiva.
Com o perfil atual de Ciro Gomes, será difícil avançar sobre esse eleitorado feminino mais velho, mais estável e com maior presença nas urnas.
Entre os mais pobres, que são maioria no estado, a aprovação é de 63%. No interior, alcança 64%, enquanto na região metropolitana se mantém em 54%, o que revela uma base social distribuída por todo o território.
Em março de 2022, Elmano de Freitas sequer era candidato. Seu nome só foi oficializado em julho, quando entrou na disputa com intenção de voto na faixa de um dígito, pouco acima de 10%, muito atrás dos principais adversários.

Ao longo da campanha, esse quadro mudou completamente. Elmano cresceu de forma consistente e venceu no primeiro turno com mais de 2,8 milhões de votos, o equivalente a 54% dos votos válidos, enquanto o candidato apoiado por Ciro Gomes, Roberto Cláudio, ficou em terceiro lugar com aproximadamente 21%.
Agora, o ponto de partida é outro, com avaliação elevada e base já estruturada.
É nesse cenário que Ciro aparece com 47% das intenções de voto, um número que reflete sobretudo recall, ou seja, memória eleitoral de um nome conhecido. Como observou Guálter George, diretor de opinião do jornal O Povo, “o conhecimento sobre o Ciro é muito maior do que sobre o governador”, e também que “a pessoa aprova aquela ação, acha positiva, mas não consegue identificar o responsável”.
O levantamento foi realizado presencialmente com 816 entrevistados, entre os dias 16 e 18 de março de 2026, com custo de R$ 81.600, contratado pelo Grupo O Povo e registrado no TSE sob o número CE-07925/2026.
Essa diferença tende a desaparecer com o avanço da campanha. Até agora, Ciro tem evitado exposição ampla e atua principalmente em ambientes controlados, sem confronto direto, o que preserva o recall no curto prazo mas não constrói base eleitoral sólida.
O histórico recente mostra esse risco. Em 2022, Ciro começou competitivo e perdeu força ao longo da campanha, num processo de desgaste que expôs contradições e reduziu seu espaço político.
A imagem que melhor descreve esse movimento é a de uma estrela nova, que cresce rápido, brilha com intensidade e depois implode, por vezes desaparecendo de vez, em outras tornando-se um buraco negro.
Desta vez, o cenário é ainda mais adverso, com Ciro disputando em um estado profundamente alinhado ao campo lulista, contra um governador que combina prestígio consolidado, capilaridade social e estrutura política. O tucano hoje se vale de um passado como homem de esquerda, aliado a Lula, ativos que tendem a se esvaziar ao longo da campanha.
Publicado originalmente em O Cafezinho