
O partido Novo afirmou nesta segunda-feira (16) que pedirá a inelegibilidade do presidente Lula (PT) por causa do desfile que o homenageou na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, alegando abuso de poder político e econômico, conforme informações da Folha de S.Paulo.
Segundo a legenda, a medida será adotada quando o petista registrar candidatura à reeleição, cujo prazo termina em 15 de agosto. Lula foi homenageado pela Acadêmicos de Niterói na noite de domingo (15), escola que recebeu recursos federais destinados às agremiações do Grupo Especial do Rio.
“Não estamos diante de um debate político, mas de um fato jurídico. Houve propaganda eleitoral antecipada financiada com dinheiro público. A consequência prevista na lei é clara e rigorosa”, disse o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro.
No início de fevereiro, técnicos do Tribunal de Contas da União recomendaram vetar o repasse de R$ 1 milhão à escola por meio da Embratur, valor distribuído igualmente entre as 12 agremiações. O TCU também foi acionado por suspeita de uso da estrutura do Palácio do Planalto pela primeira-dama, Janja Lula da Silva, na organização de um carro alegórico.
Antes do desfile, o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou duas ações que pediam o reconhecimento de propaganda antecipada. A relatora Estela Aranha afirmou que barrar manifestações artísticas previamente configuraria “censura prévia, indireta e restrição desproporcional ao debate democrático”.
A ministra também declarou que não seria possível reconhecer irregularidade antes da realização do evento e que eventual ilícito poderia ser analisado posteriormente. “Não é possível antecipar sequer o fato de que o primeiro representado participará deste desfile e, se, eventualmente, nesta ocasião, será cometido algum ilícito eleitoral”, disse.
Acadêmicos de Niterói deu um show de irreverência, mostrou o Bolsonaro fantasiado de palhaço várias vezes, mas a narração da Globo censurou a explicação de tudo. Cobertura vergonhosa, mas aqui vamos mostrar tudo! pic.twitter.com/e06vPyb0jw
— Mallu (@mariarita4141) February 16, 2026
O desfile
Com o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a Acadêmicos de Niterói apresentou uma narrativa que percorre a história política recente do país. O ator e humorista Paulo Vieira interpretou Lula durante a apresentação.
A comissão de frente levou à avenida personagens representando os quatro últimos presidentes brasileiros. Na coreografia, Lula passava a faixa presidencial para Dilma Rousseff, que a perdia para Michel Temer em alusão ao impeachment de 2016. Em seguida, a faixa era associada a Jair Bolsonaro, retratado como o palhaço Bozo.
Durante a transmissão da Globo, comentaristas como Milton Cunha, Mariana Gross, Alex Escobar, Karine Alves e Pretinho da Serrinha focaram nos aspectos técnicos do desfile, como fantasias, alegorias e evolução da escola, sem detalhar o teor político do enredo.
Mesmo com a encenação explícita, a exibição limitou-se a citar que se tratava de uma representação do passado recente do Brasil, sem identificar nominalmente as figuras parodiadas. A Globo chegou a perder audiência após esconder o desfile da Acadêmicos de Niterói.
Lula não desfilou, mas acompanhou a apresentação diretamente da avenida, ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD).
O Bozo preso com a tornozeleira na Acadêmicos de Niterói. Que primor! #Globeleza pic.twitter.com/RKQNpcI866
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) February 16, 2026