O Dia D da Educação tem potencial para ser o início do fim de Bolsonaro. Por José Cássio

A coisa toda começou na Tijuca semana passada (Imagem: reprodução)

Tivesse um pingo de juízo, coisa que sabemos que ele não tem, Bolsonaro estaria à base de rivotril.

Não bastassem todos os problemas – filho trambiqueiro com sigilo fiscal e bancário quebrados, sumiço do Queiroz, guerra com o general que comanda a Comunicação do governo, economia que não dá um passo, desordem social, um guru aloprado que dá um trabalho do cão, milícias e laranjas do PSL batendo à porta do acovardado Sergio Moro, etc, etc, etc -, terá de conviver nesta quarta, 15, com o fantasma do qual todo governante teme, ou pelo menos deveria temer, para usar uma expressão do velho Ulisses Guimarães: a voz rouca da ruas.

Quando tomou posse em primeiro de janeiro, e logo na primeira canetada mandou uma medida provisória prejudicando os indígenas, nem o mais pessimista dos conselheiros do presidente poderia supor que o verdadeiro estrago ainda estaria por vir, e seria na área da Educação, primeiro pelas mãos do vovozinho trapalhão Veléz Rodrigues, agora pelas do idiota funcional Abraham Weintraub.

Literalmente, como diria Carluxo, em menos de seis meses Bolsonaro conseguiu um feito inédito: jogar o Brasil inteiro contra seu governo, como se poderá ver neste Dia D da Educação convocado pela UNE e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

De norte a sul do país, alunos, professores, pais, simpatizantes e toda sorte de deserdados desta nau sem rumo estará nas ruas para protestar, xingar e jogar praga neste que já é o pior e o mais impopular mandatário da história do país.

Para ter ideia do que Bolsonaro vai encontrar pela frente, basta lembrar dois episódios recentes.

O primeiro em 27 de março quando, por orientação do setor de inteligência da presidência de República, teve de cancelar uma visita à Universidade Mackenzie, em São Paulo, por conta da conturbação.

O segundo na semana passada, quando usou colete à prova de bala nas comemorações dos 130 anos do colégio Militar da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro.

De uma hora para outra, sem que ninguém percebesse, começaram as movimentações, primeiro no Rio, depois em outras cidades, estados, até que se generalizaram pelo país.

Para as desta semana, a presidente da UNE, Marianna Dias, prevê atos em todas as capitais e em centenas de outras cidades.

A expectativa, segundo ela, é de que não apenas estudantes, professores, pais e trabalhadores das instituições de ensino, mas toda a sociedade civil apoie e participe.

“É um movimento que envolve todos os setores”, falou a líder estudantil. “Bolsonaro vai provar o gosto da pressão popular”.

Collor, nos estertores do seu governo, num gesto apoplético discursando para uma plateia de taxistas comprados, pediu que os brasileiros saíssem às ruas de verde e amarelo para sinalizar aquilo que só ele imaginava ter: apoio popular.

O Brasil saiu às ruas de preto e começava ali o início do fim de um período, como esse de Bolsonaro, em que o país mergulhou no delírio de uma gente desclassificada e vulgar.

A cegueira do capitão é a mesma do caçador de Marajás. Não vê, a um palmo do seu nariz, um povo desconsolado, sem esperança e por isso mesmo disposto a ir para o tudo ou nada. Haja rivotril.

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