O dia em que a babá travesti do meu filho salvou sua vida. Por Martha Gomes

 

Martha e seu filho Daniel

Martha Jardim Gomes, membro diamante do DCMTV, publicou no nosso grupo de WhatsApp um relato que quero compartilhar com você:

Assisti agora a entrevista com a Nicole Puzzi. Sensacional. Eu a conheci na praia do Leme em 1985 ou 86, rapidamente. Muito linda e gentil.

Eu não sabia que ela teve uma babá travesti. Eu também tive uma, e nessa época também. Chamava-se Carlinhos, mas gostava de ser chamada de Suellen, era negra, alta e muito magra, uma pessoa totalmente do bem e muito sofrida.

Em casa, usava bermuda e camiseta, mas jamais ia à rua assim. Sempre vestia um tubinho pra sair.

Uma vez comemorei o aniversário de minha filha caçula que estudava no colégio de freiras da Imaculada Conceição em Botafogo, e Suellen se produziu toda, com um vestidinho branco de renda, sapatos altos vermelhos, maquiagem e batom.

No colégio ninguém fez comentários, e ela adorou.

Ninguém me questionava e eu também não admitiria ser questionada. Eu trabalhava fora e ela cuidava da casa e das minhas três crianças.

Um dia, o mais velho entrou no banheiro para um demorado banho de banheira e Suellen estranhou que demorasse tanto. O aquecedor de gás ficava dentro do banheiro e meu filho, que tinha 14 anos, fechou o basculante por causa do frio.

Resultado: ficou intoxicado e desmaiou. Suellen arrombou a porta e o carregou desacordado para o quarto. Eu cheguei logo em seguida e o reanimei com massagem de álcool e gelo.

Era uma pessoa querida, que depois foi muito injustiçado por meu ex-marido, um desses erros de trajeto que cometemos na vida, e Suellen foi embora.

Nunca mais tive notícias. Que esteja bem, onde quer que esteja… minha gratidão a [email protected]