O dia em que conheci Luciano do Valle

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Luciano do Valle foi para a minha geração algo que não foi aos mais novos: era a voz que você queria ouvir quando não tinha paciência para o Galvão Bueno. Isso, nos anos 90, época em que a Bandeirantes fez uma ofensiva como “o canal do esporte”.

Para os mais velhos que eu, ele foi mais ainda: era o grande narrador da TV. Para mim, um dos grandes – e certamente o melhor entre eles.

Luciano morreu hoje. Fiquei sabendo na volta de um passeio no bairro da Liberdade em São Paulo. Cheguei a ouvir um transeunte dizendo “sabe quem morreu?” na rua. Achei que se referia a algum amigo pessoal e projetei minha atenção a outro lugar. Chegando em casa, fui ver na internet o que havia acontecido.

Sua morte aconteceu em Uberlândia, MG, onde narraria o primeiro jogo do campeonato brasileiro, entre Corinthians e Atlético Mineiro. Depois de passar mal durante o vôo, foi socorrido e levado ao hospital Santa Genoveva, mas não pôde ser salvo.

O médico que atendeu o jornalista no vôo disse em entrevista a vários sites que foi uma morte súbita, mas que a causa só se saberá depois da autópsia.

Luciano foi importantíssimo para o esporte no Brasil. Mais do que muitos esportistas, inclusive. É atribuída a ele a participação mais determinante no desenvolvimento e na popularização do vôlei, que entre os anos 90-00 se tornou nosso segundo esporte coletivo mais praticado.

Eu o conheci em certa ocasião. Tinha por volta de 20 anos, era estudante de jornalismo, e trabalhava como assessor de imprensa de um ótimo salão de cabeleireiros em São Paulo.

Luciano era cliente assíduo. Acredito que foi até o fim da vida, inclusive.

Estávamos no salão, eu subindo a escada e ele descendo. “Luciano!”, eu disse. “Oi, querido”, ele respondeu. “Vamos fazer umas fotos para a Caras com o [cabeleireiro] Catarino um dia desses?” “Vamos sim, é só marcar”. E daí se desenvolveu algum papo. Combinamos detalhes, fizemos algum small talk e nos despedimos.

Luciano era muito simpático e solícito. Se dispôs a nos ajudar no que fosse necessário. Chegou, inclusive, a mencionar o salão algumas vezes em transmissões, me ajudando na minha função naquele momento, que era de dar exposição à empresa.

Mas o mais marcante desse encontro foi ouvir o vozeirão de Luciano do Valle de perto. Ele não impostava nas narrações – sua voz era aquela mesma, só que mais potente, super grave.

Não me lembro de ter encontrado ele outras vezes por lá. É provável que sim, mas não tenho certeza. Mesmo assim, tenho uma breve lembrança carinhosa daquele momento.

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