“O dia virou noite”: entenda o escurecimento do céu de Teerã e a chuva ácida no Irã

Atualizado em 9 de março de 2026 às 9:10
Fumaça no céu de Teerã. Foto: reprodução

Um ataque a um depósito de combustíveis em Teerã no último domingo (8) provocou uma grande coluna de fumaça que escureceu o céu da capital do Irã e levou autoridades locais a emitirem alerta sobre risco de chuva ácida nos próximos dias. O episódio ocorreu um dia após ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra uma refinaria de petróleo na cidade, ampliando os efeitos ambientais do conflito na região.

Com explosões e incêndios em instalações ligadas ao armazenamento de combustíveis, grandes quantidades de fumaça e gases foram lançadas na atmosfera. A poluição foi tão intensa que moradores relataram que o “dia virou noite”, devido à grande concentração de partículas escuras suspensas no ar.

Diante da deterioração da qualidade do ar, autoridades iranianas recomendaram que a população evite sair de casa sempre que possível. Para quem precisar circular pelas ruas, a orientação é usar máscaras de proteção. O governo também alertou para a possibilidade de formação de chuva ácida nos próximos dias.

O escurecimento do céu ocorre porque explosões e incêndios liberam grandes quantidades de fuligem e partículas microscópicas na atmosfera. Esse material permanece suspenso no ar e forma uma nuvem densa de poluição que bloqueia parte da luz solar.

Quando isso acontece, a luminosidade que chega ao solo diminui significativamente, criando a sensação de que o dia se transformou em noite. Dependendo das condições climáticas, como direção dos ventos e correntes atmosféricas, essa fumaça pode se espalhar para áreas mais amplas, afetando regiões além da capital.

A possibilidade de chuva ácida está ligada à presença de gases poluentes liberados durante a queima de combustíveis fósseis. Entre os principais estão o dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio, substâncias frequentemente liberadas em grandes quantidades por refinarias, depósitos de combustíveis e outras instalações industriais.

Quando esses gases entram na atmosfera, eles reagem com o vapor d’água presente no ar e formam compostos ácidos. Os principais são o ácido sulfúrico e o ácido nítrico. Dissolvidos nas gotas de água das nuvens, esses compostos retornam à superfície na forma de chuva com maior acidez.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.