
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reuniu na semana passada com o advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, o encontro ocorreu de forma reservada em Brasília e foi articulado por interlocutores em comum.
Também participaram da reunião os ministros do STF Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, além do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG). A conversa marcou a primeira aproximação direta entre Alcolumbre e Messias desde a indicação.
O encontro representa uma tentativa de reduzir a resistência do presidente do Senado, que até então evitava receber o indicado. A movimentação é vista como passo no processo de articulação para a sabatina e votação no Senado.
Aliados de Messias afirmam que ele conta com o apoio de 43 senadores, número considerado apertado, já que são necessários ao menos 41 votos favoráveis. A resistência de Alcolumbre está ligada à condução da indicação: ele havia defendido o nome de Rodrigo Pacheco para o STF, que também contava com apoio de parte do Senado e de ministros da Corte.

Lula chegou a discutir a possibilidade de indicar Pacheco, mas optou por Messias e tornou a decisão pública sem avisar previamente o presidente do Senado. O gesto gerou insatisfação e foi interpretado como quebra de expectativa política.
Durante a reunião, Alcolumbre não se comprometeu a apoiar a candidatura ou a mobilizar aliados. Ele indicou, no entanto, que deve garantir um ambiente sem interferências na sabatina e na votação do nome no plenário.
Messias classificou a relação com o senador como resultado de “desencontros” e sinalizou compreensão sobre o episódio. Até o momento, Alcolumbre mantém a orientação de não liberar seu grupo político para declarar apoio ao indicado.