O envolvimento do Master em recuperação judicial bilionária de gigante do agro

Atualizado em 17 de março de 2026 às 12:30
Fachada do Banco Master. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Banco Master, de Daniel Vorcaro, tem envolvimento com um dos maiores processos de recuperação judicial do agronegócio do Mato Grosso do Sul. Ele está no centro de uma das maiores fraudes bancárias dos últimos anos no Brasil, e atualmente se encontra preso.

O foco de seus negócios estava no agronegócio, especialmente em um banco chamado Voiter, antigo Indusval, que passou a se chamar Pleno após a sua aquisição em 2024. A instituição era especializada em financiamento para o agronegócio e sua compra marcou a transição do conglomerado de Vorcaro no setor.

O banco tinha como foco atender grandes produtores rurais, e a mudança para o nome Pleno simbolizou essa expansão e a integração com o Master. Entre os grandes nomes do setor, está o Grupo Sperafico Agroindustrial, um dos maiores envolvidos no processo de recuperação judicial.

O grupo, embora com sede no Paraná, possui grande parte de suas operações financeiras em Mato Grosso do Sul, onde mantém o “braço produtivo” de seus negócios. A companhia, que fatura bilhões com a comercialização de cereais e a produção de óleos vegetais, tinha filiais em cidades como Aral Moreira, Ponta Porã e Bataguassu.

No auge de seu desempenho, em 2007, o grupo alcançou R$ 1,2 bilhão em faturamento, com foco no plantio de soja, milho e trigo. Em 2022, no entanto, o Sperafico entrou com um pedido de recuperação judicial, alegando dívidas que totalizavam R$ 1,3 bilhão.

Logo do Grupo Sperafico Agroindustrial. Foto: Divulgação

O processo foi protocolado na Justiça Estadual de Mato Grosso do Sul e gerou grande repercussão no setor agroindustrial. No rol de credores, o Voiter aparece como o terceiro maior credor, com uma dívida de R$ 89,9 milhões. O Banco do Brasil lidera a lista com R$ 453,3 milhões, seguido pela Imcopa com R$ 198,7 milhões.

A dívida com o Voiter foi classificada como um crédito quirografário, ou seja, sem garantia real. Esse tipo de crédito ocupa a última posição na ordem de pagamentos em casos de falência ou recuperação judicial. Mesmo com a falência e liquidação do Banco Pleno, que tinha Vorcaro como sócio, a dívida permanece, e o valor será destinado ao liquidante da instituição, o que ainda pode impactar os credores.

Em fevereiro de 2024, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, incluindo a Pleno DTVM, em razão da situação econômico-financeira deteriorada e do descumprimento das normas regulatórias.

O processo foi iniciado após o BC aprovar, em agosto de 2023, a transferência de controle do Voiter para Augusto Lima, que passou a operar sob o nome de Banco Pleno. O Banco Central informou que a liquidação foi motivada pela falta de liquidez da instituição e pela violação das determinações do regulador.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.