O “erro” que fez a Jovem Pan ser condenada a indenizar PM no caso Marielle

Atualizado em 13 de abril de 2026 às 11:54
A vereadora Marielle Franco, assassinada por milicianos em 2018. Foto: reprodução

A Jovem Pan foi condenada a indenizar em R$ 15 mil um capitão da Polícia Militar de São Paulo que teve sua imagem exibida de forma equivocada em uma reportagem sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes. A decisão, confirmada em primeira e segunda instâncias, reconhece que a emissora cometeu um erro grave ao associar o policial a um dos investigados do caso, expondo o oficial a constrangimentos e atingindo sua imagem pública.

O episódio ocorreu em agosto de 2023, quando a Jovem Pan abordava novos desdobramentos das investigações sobre o crime ocorrido no Rio de Janeiro em março de 2018. Na ocasião, a emissora mostrou a foto do capitão da PM paulista como se fosse a imagem do ex-bombeiro Maxwell Celestino de Souza, conhecido como Suel.

Ele é acusado de ter participado da execução do crime por meio de ações de vigilância contra Marielle e de supostamente ter guardado o veículo usado no assassinato. O ex-bombeiro nega envolvimento e afirma que não sabia do plano criminoso.

Maxwell Celestino de Souza, o Suel. Foto: Hermes de Paula/Agência O Globo

Na ação movida contra a emissora, o capitão afirmou que ficou “atordoado e atônito” ao descobrir que sua foto havia sido usada na reportagem como se ele fosse o ex-bombeiro investigado. Segundo o policial no relato obtido pelo Uol, o erro o levou a enfrentar diversas situações de constrangimento, já que sua imagem passou a circular vinculada a um dos crimes políticos mais emblemáticos e de maior repercussão nacional dos últimos anos.

Ao manter a condenação, o desembargador Alexandre Bucci afirmou que o caso envolveu uma “falha grosseira” e destacou que a emissora “atuou sem qualquer zelo ou compromisso com a verdade dos fatos”.

A decisão reforça o entendimento de que, mesmo sem citar nominalmente o capitão, a exposição indevida de sua imagem em um contexto tão sensível foi suficiente para gerar dano moral indenizável.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.