O escândalo que sacode a medicina brasileira

Às vésperas da homologação da vitória do médico César Eduardo Fernandes com 60,46% dos votos da Associação Médica Brasileira, derrotando a situação com 39,54%, sérias são as denúncias que sacodem o ambiente médico nacional.

Além de dados extraídos de auditoria contratada pela própria AMB – controlada pelo mesmo grupo no poder há uma década –, começam a surgir graves elementos de prova contra os integrantes da diretoria que ora deixa o poder.

A KPMG, uma das quatro maiores empresas de auditagem do mundo, já havia descoberto desvios para uma conta bancária fantasma, que recebeu 774 transferências em apenas dois anos, e que, ao fim, alguns milhões foram parar num salão de beleza.

Apesar das contas serem assinadas pelo presidente Florentino Cardoso Filho e o tesoureiro José Luiz Bonamigo Filho — os valores chegam aos R$ 50 milhões –, uma veterana funcionária burocrática, de baixo escalão, Maria Aparecida Rodrigues, foi responsabilizada pelo desvio de cerca de R$ 2 milhões.

À Folha de S.Paulo, ela declarou que foi trancada numa sala, coagida e que a acusação teria motivação política. Maria Aparecida foi funcionária da AMB por 25 anos e se declara disposta a testemunhar sobre todas as irregularidades que presenciou, inclusive manipulações eleitorais e desvios de grandes somas dinheiro.

Ambos são conselheiros federais do Conselho Federal de Medicina e Jose Bonamigo, chefe em um dos mais respeitados hospital do país, o Hospital Israelita Albert Einstein.

O processo, que já está nas mãos da polícia paulistana, vai crescendo. Documentos são acrescentados a cada dia.

A já famosa conta da AMB, cujos cheques eram assinados pelos Drs. Florentino (presidente) e Bonamigo (tesoureiro), registram transações entre a conta de número 2-151-4, da agência 0646, do Banco Itaú, na Avenida Paulista, e a número 115.688-8, da agência 4223-4 do Banco do Brasil. As duas tem os mesmo CNPJ, o 61.413.605/0001-07, o da AMB.

Foi através de conta-fantasma que verdadeiras pérolas são encontradas:

• O tesoureiro José Bonamigo autorizou a contratação da 5º maior empresa de auditoria de mundo, GRANT THORNTON para DEFENDER a Chapa 2 nas eleições da APM (Associação Paulista de Medicina), não tendo como justificar a saída desses valores na AMB, solicitou (alegando que estava de plantão no Hospital Albert Einstein e não poderia aprovar naquele momento) que o financeiro, sob supervisão de Maria Aparecida Rodrigues, providenciou a transferência do valor à empresa MEIRELES & BONAMIGO (empresa que tinha a esposa de Jose Bonamigo como sócia), conforme comprovante de 10 mil reais, conforme nota emitida pela GRANT THORNTON, o que foi devidamente reembolsado pela AMB.
• JOSE LUIZ BONAMIGO FILHO autorizou reembolsos em questões pessoais dos diretores: o pagamento do conserto de relógio e revisão e funilaria de veículo de propriedade da Gerente Financeira (veículo Honda City placa FRS 4541), grande aliada das apresentações dos balanços maquiados à auditoria e Conselho Fiscal. No processo está a nota fiscal do pagamento de Relógio Apple IWatch cujo serial number é de propriedade do presidente à época, Dr. Florentino Cardoso, reembolsado pela AMB a prestadores, por meio de relatórios de reembolso que propositadamente Jose Luiz Bonamigo Filho deixou de apresentar.
• USO DO DINHEIRO DA AMB PARA FINS PESSOAIS – JOSE BONAMIGO ORDENADOR DE DESPESAS PARA ABRIR SUA CLÍNICA INSTITUTO PAULISTA DE MEDICINA – Jose Luiz BonamigoFilho, médico chefe do Hospital Israelita Albert Einstein, segundo se apurou contratou pela Associação Médica Brasileira – AMB, uma empresa de contabilidade e utilizou a mesma para abrir sua própria empresa médica, quem pagou e reembolsou por essa abertura ao que parece pelos documentos foi a própria instituição. Isso tem demonstrado à polícia paulistana muito sobre a maneira que o tesoureiro, por quase 10 anos, utilizou o dinheiro da instituição e que deve ter muito a explicar sobre o desvio de 50 milhões descobertos por um prestador de serviços.
• DOCUMENTO PROBATÓRIO DE QUE JOSE BONAMIGO, FOI O RESPONSÁVEL DE DESPESAS PAGAS PELA ILEGALMENTE PELA AMB EM CAMPANHA ELEITORAL PARA ASSUMIR A APM, no item “Boleto Bancário Emitido Pela MT LOG BRASIL Transportes Rápidos”, tornando-se necessário esclarecer que JOSE BONAMIGO solicitou ao financeiro que pagasse uma empresa que fizesse os “disparos” de materiais de campanha contra a APM, em que justificou não poder fazer porque ele, (Bonamigo) estava fora da AMB em plantão no Hospital Israelita Albert Einstein. Financeiro, AUTORIZADO POR EMAIL INSTITUCIONAL DA AMB, pagou pelas despesas e em seguida recebeu o reembolso pela AMB, autorizada por Jose Bonamigo. (E-mail em anexo)
• USO COMPROVADO DO DINHEIRO DA AMB PARA ELEGER JOSE BONAMIGO COMO GOVERNADO DO AMERICAN COLLEGE OF PHISICYANS Atual Governador do ACP-BR, Jose Bonamigo solitou que fizesse a abertura do capítulo com todas as depesas custeadas pela AMB, inclusive que fosse negociado com a contabilidade que somente eles teriam a conta das instituições dos médicos jovens ANMR, AMERESP, ABLAM, caso não cobrassem para fazer a abertura, isso consta em contrato assinado por JOSE BONAMIGO.
• JOSE BONAMIGO – FALSIFICAÇÃO DA ASSINATUDA DA EMPRESA DO CANDIDATO LINCOLN LOPES FERREIRA PARA ELEIÇÕES AMB 2017 – PAGA OU REEMBOLSADA PELA AMB – DISPARO DE MAILMARKETING Esse foi o fato que gerou a rescisão da assessoria jurídica que atuou até 2017 com a AMB. Jose Bonamigo solicitou a um prestador de serviços de confiança para figurar como representante legal da empresa do atual presidente da AMB – Lincoln Lopes Ferreira no contrato de disparador de e-mails de campanha – que se compromissou com Jose Bonamigo, que se eleito à presidência da AMB o indicaria para o cargo de Conselheiro Federal indicado pela AMB.
• USO POLÍTICO DO DINHEIRO DO ASSOCIADO EM 2019 – AMB PAGA GUIA JUDICIAL DE 35.000,00 REAIS PARA A CHAPA 2 DA APM ONDE JOSE BONAMIGO É CANDIDATO A DIRETOR ADMINISTRATIVO – processo nº 1083344-57.2017.8.26.0100 me curso na 1ª Vara Cível Central de São Paulo. Lincoln Lopes Ferreira e Jose Bonamigo, suportaram o pagamento da perita judicial no processo nº 1083344-57.2017.8.26.0100 me curso na 1ª Vara Cível Central de São Paulo que a Chapa de Jose Bonamigo promove contra a APM, tanto é que as conversas, mostram o Presidente da AMB justificando o atraso no pagamento e que estava atuando junto com o Tesoureiro (Jose Bonamigo) para ver como faria o pagamento, se pela AMB ou se por terceiros para posterior reembolso. A verdade é que a GUIA JUDICIAL da PERITA JUDICIAL dos membros da Chapa 2 contra a atual diretoria da APM foi paga pela AMB na pessoa de seus diretores e devem ser cobrados sobre a prestação de contas.
• Dois depoimentos explosivos começaram a nortear as investigações policiais: a do 2º tesoureiro Miguel atestando que os próprios ex-advogados da AMB foram os responsáveis pela descoberta do milionário desvio de cerca de R$ 50 milhões através da caixa 2 durante a gestão que agora se finda;e a de Alisson Mello de Queiroz, morador em Sorocaba e ex-funcionário da Associação Paulista de Medicina (APM), alvo de tentativa de corrupção de dirigentes da AMBque o queriam contratar para realizar espionagem. Alisson revelou com riqueza de detalhes ter “sido muito procurador pelos Drs. José Luiz Bonamigo Filho e Diogo Sampaio Leite, membros da diretoria da AMB comandada pelo Dr. Florentino Cardoso, no ano de 2014, para que pudesse vasculhar informações, interferir no processo eletrônico e procurar por documentos que pudessem contribuir para a campanha eleitoral, por ser até então funcionário da Associação Paulista de Medicina. De 2014 a 2017, a AMB autorizada pelo Dr. José Bonamigo, realizou o pagamento de todos os advogados que me defenderam, comprou passagens internacionais para justificar minha saída do país, pagou todas as taxas de processos, tudo isso para que eu não revelasse os pedidos que me fizeram durante o período eleitoral de 2014, sendo que enviei os comprovantes de despesas para o Dr. Bonamigo, que me pedia para enviar para as meninas do financeiro que elas dariam um jeito de arrumar e acertar, a que hoje entendo a grande gerência administrativa”. 

A tal conta-fantasma (milionária) que financia todas as ilegalidades da diretoria que está saindo do comando da Associação Médica Brasileira nunca foi apresentada perante o Conselho Fiscal, as Auditorias Internas ou as Assembleias de Delegados. Ela, simplesmente, não existia.

A Folha de S. Paulo puxou a ponta do novelo, mas o gordo novelo está sendo desenrolado em processo criminal sigiloso.

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