O estelionatário que recebeu R$ 126 milhões do Master e sacou auxílio emergencial

Atualizado em 24 de abril de 2026 às 9:03
Fachada do Banco Master. Foto: reprodução

Uma empresa desconhecida localizada no centro do Rio de Janeiro recebeu ao menos R$ 126,6 milhões do Banco Master, em transações classificadas pela instituição de Daniel Vorcaro como pagamentos por prestação de serviços. O sócio-administrador da Midias Promotora LTDA, Gilson Bahia Vasconcelos, foi beneficiário do auxílio emergencial do governo na pandemia e enfrenta processo em que é acusado de estelionato.

Segundo a Folha, Bahia Vasconcelos é apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como um dos líderes de um suposto esquema de fraude contra aposentados e pensionistas do INSS, sendo a maioria idosos. Segundo a denúncia, a organização criminosa acessava dados das vítimas por meio de um programa de computador chamado Vanguard.

Funcionários de um call center ligavam para os alvos oferecendo cartões de desconto em lojas, mas alegavam que para dar o benefício precisavam de um encontro presencial para fazer a foto do cartão. Neste momento, sem saber, a vítima cedia sua imagem para reconhecimento facial, que era usado para firmar contratos de empréstimo consignado com desconto em folha de pagamento, e o dinheiro em seguida era desviado.

As cifras em torno da Midias não condizem com os dados registrados em documentos sobre Bahia Vasconcelos. A empresa, que tem capital social de R$ 1 milhão, foi aberta em 2020, mesmo ano em que ele recebeu R$ 3.000 de auxílio emergencial do governo, em cinco parcelas mensais de R$ 600.

O endereço que declara como residência é um sobrado simples em Realengo, na zona oeste do Rio, e não há registro de propriedade de imóveis em seu nome no estado. Hoje, a Midias tem uma dívida ativa de R$ 12,5 milhões com a União pelo não pagamento de impostos.

Casa apontada em processo judicial como residência de Gilson Bahia Vasconcelos. Foto: Tercio Teixeira/Folhapress

O montante pago à Midias foi o terceiro maior repasse feito pelo Banco Master por serviços prestados entre 2022 e 2025, atrás apenas de duas empresas, uma ligada a Daniel Monteiro, apontado como arquiteto jurídico do banco, e outra ao ex-sócio Augusto Lima.

Em 2024, ano em que a Midias recebeu a maior parte dos pagamentos (R$ 96 milhões), Bahia Vasconcelos ficou preso preventivamente durante quase um mês pelo processo do golpe do call center em aposentados, no qual é réu por estelionato e participação em organização criminosa.

Além deste caso, ele é apontado em outras duas ações movidas por pessoas que dizem ter sido vítimas de fraudes com empréstimos consignados.

Em uma delas, uma pensionista da Marinha relata que depositou cerca de R$ 47 mil na conta de Bahia Vasconcelos após ser induzida a contratar um empréstimo, mas não recebeu os rendimentos prometidos. Na outra ação, um militar da Marinha afirma ter sido alvo de esquema em 2022 no qual o réu teria se apresentado como gerente de uma empresa que realizou empréstimos sem consentimento.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.