O estranho caso da estranha pesquisa do Instituto Paraná

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Os institutos de pesquisa deixaram sua marca indelével nestas eleições. Ibope e Datafolha deram, até os 45 do segundo tempo do primeiro turno, um empate técnico emocionante entre Marina Silva e Aécio Neves na segunda colocação.

Na véspera do dia da votação, o Datafolha cravou que Dilma Rousseff obteria 44% dos votos válidos, Aécio Neves, 24%, e Marina, 22%. Segundo o Ibope, o resultado era 46%, 24 e 27%.

Como se sabe, a realidade trouxe outro cenário. Dilma com 41,59%, Aécio com surpreendentes 33,55% e Marina com 21,32%. Ainda não se ouviu uma explicação convincente.

Por isso, foi vista com vários pés atrás, para dizer o mínimo, a pesquisa do Instituto Paraná, divulgada nesta semana pela revista Época. Aécio teria 54% dos votos válidos, contra 46% para Dilma.

Quer dizer, a desconfiança se devia não apenas aos equívocos de Ibope e Datafolha, mas porque 1) ninguém nunca tinha ouvido falar do instituto Paraná; 2) quem ouviu falar tinha motivos para não levar muito a sério.

A empresa existe, na verdade. Registrou a pesquisa no TSE. Foram ouvidos 2080 pessoas de 152 municípios entre 6 e 8 de outubro. Oito estados ficaram inexplicavelmente de fora. Custou 62 mil reais. E a Época não consta como contratante.

O diretor se chama Murilo Hidalgo. É comentarista cativo da Gazeta do Povo, o maior jornal do Paraná, e da CBN-Curitiba. Murilo estaria numa lista de cotados para secretarias do governador eleito do estado, Beto Richa, do PSDB. Ele ficaria com a Celepar, companhia de TI.

No último dia 2, a Gazeta do Povo publicou fotos de Aécio chegando ao aeroporto Affonso Pena. Curiosamente, aparece Hidalgo numa delas, fazendo uma fotinho do candidato com seu smartphone.

O levantamento teve uma recepção fria (Aécio, claro, usou os números acachapantes em seu programa eleitoral). Nosso repórter Emir Ruivo telefonou para Hidalgo. “Te ligo já”, respondeu ele. “Agora estou ocupado”. Não retornou mais. Num artigo no site da Paraná, ele escreve o seguinte: “Com essas eleições ficou claro que é urgente uma discussão honesta e franca acerca da utilização das pesquisas”.

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