O estranho caso das “ameaças” a Augusto Nardes, do TCU. Por Kiko Nogueira

Perseguido
Perseguido

 

Augusto Nardes, ministro do TCU e novo heroi da direita brasileira (está no padrão: foi citado na operação Zelotes sob a suspeita de ter recebido 1,65 milhão de reais de propina), alardeia há algum tempo que recebe ameaças.

Chegou a se comparar a Joaquim Barbosa, dizendo que entende por que JB “se aposentou”.

“É um momento muito tenso. Recebi pressão muito forte”, afirmou logo após a sessão do TCU que rejeitou as contas do governo. “Estou enfrentando uma estrutura de milhares de pessoas que têm cargos, que querem permanecer onde estão”. Que pessoas, que cargos, onde?

De acordo com Nardes, emails e telefonemas “muito contundentes” o massacraram. Do tipo “vamos acabar contigo”, relatou.

À guisa de ilustração ou sabe-se lá o quê, narrou um episódio que chamou de “pitoresco”. “No Rio de Janeiro, fui assaltado por um homem que estava em uma bicicleta. Ele passou pedalando e rasgou a minha camisa enquanto me roubava”, lembrou.

O que isso tem a ver com qualquer coisa é um mistério, mas faz parte do pacote da perseguição que está sofredo.

A primeira vez que veio à tona todo esse acossamento foi no final de agosto, numa coluna do G1. Nardes pediu proteção policial. “Se acontece alguma coisa comigo, a repercussão não é somente para mim e para a minha família”, defendeu. O alvo é o Brasil.

Ele tem sido escoltado em Brasília por dois seguranças que prestam serviço ao TCU. Mais dois fazem a proteção de sua casa. Toda a história se transformou numa caça implacável ao doutor Nardes por parte dos inimigos da democracia.

Foram mais de “13 mil emails”. Ninguém, fora o círculo de Nardes, viu nenhum deles. O mínimo que deveria ter acontecido era lavrar um boletim de ocorrência, correto? Não houve B.O..

De acordo com a assessoria de imprensa do TCU, as ameaças foram encaminhadas à Polícia Federal.

Ocorre que, segundo a PF, isso não aconteceu. “Não temos nada encaminhado pelo TCU nesse quesito”, disse ao DCM Camila Figueiredo, do setor de comunicação da PF.

Claro que é possível que alguns mentecaptos tenham escrito absurdos direcionados. Mas daí a transformar num caso de segurança nacional faz parte de um teatro cujo ato mais barulhento foi o julgamento televisionado do último dia 7 de outubro.

Nardes foi indicado para o TCU pelo falecido deputado José Janene, do PP, amigo do doleiro Youssef. Seu verdadeiro problema é responder à Justiça pelo suposto esquema em que está envolvido.

No momento, um aparato policial está sendo bancado com dinheiro público por causa de mais uma fanfarronice.

 

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