“O evangélico hoje virou protótipo de um ser desprezível”: a corajosa entrevista de Luana Piovani

Atualizado em 11 de abril de 2026 às 18:40
Luana Piovani em entrevista
Luana Piovani em entrevista ao “Conversa Vai, Conversa Vem”, do Globo. Foto: Reprodução

Esse é sem dúvida um assunto que exige todo cuidado, principalmente em ano de uma eleição que pode levar o Brasil de volta a tempos muito sombrios.

Luana, porém, está coberta de razão na entrevista ao programa “Conversa Vai, Conversa Vem”, do jornal O Globo. E acerta também no tom da mensagem.

Ela faz questão de deixar claro que ela própria é evangélica, o que já torna a pergunta da entrevistadora um tanto besta, quando questiona se não seria uma generalização dizer “que o evangélico hoje virou protótipo de um ser desprezível”.

Quase tudo o que falamos é generalização, ao menos desde que agrupamos diferentes unidades sob nomes comuns, conforme Aristóteles descreve em “Categorias”, mas tergiverso. O ponto é que o evangelismo, principalmente o neopentecostal, produz seres humanos desprezíveis em escala industrial. Que de fato representam tudo de pior que alguém pode ser, e em absolutamente nada lembram a figura de Jesus Cristo.

É nítido que vivem muito mais de ódio do que de amor ao próximo, sempre prontos a coagir, condenar, constranger, praguejar uma eternidade de dor e sofrimento a todos aqueles que simplesmente não seguem a mesma interpretação tenebrosa e conveniente da bíblia. Que ignora as partes mais constrangedoras, como a defesa da escravidão em Levítico, mas ao mesmo tempo afirma que tudo o que está ali são verdades absolutas.

E então se sentem autorizados a perseguir religiões de matriz africana, ou a infernizar a vida de filhos LGBTs, isso quando não os expulsam de casa. Também não falta crente celebrando a morte violenta de outros seres humanos, defendendo os massacres realizados pela polícia em favelas. Ou subjugando mulheres, tratando-as como seres que devem submissão aos homens, conforme a vontade um deus que é a imagem e semelhança do calvo da Campari.

Mas precisamos ser justos aqui, e reconhecer que não se trata de uma exclusividade evangélica. Católicos, espíritas e supostos cristãos de outras denominações podem ser tão odiosos quanto.

Ainda assim, Luana tem razão ao dizer que foi o evangélico que ficou com a pior fama. Muito em função de pastores que enriquecem na proporção em que destilam ódio e exploram a ignorância. E assim voltamos à questão política, que é a que mais interessa.

Para elegermos esse ano um congresso minimamente decente, assim como Lula presidente outra vez, o voto evangélico é fundamental. E não faltam exemplos de evangélicos que de fato seguem os ensinamentos de Cristo. No próprio atual congresso temos um ótimo exemplo, com o pastor Henrique Vieira.

O problema então não é com a fé evangélica, que a própria Luana professa. A questão é o que pilantras estelionatários fizeram com ela, em troca de poder e dinheiro.

Leonardo é catarinense, jornalista e escreve no blog Van Filosofia. http://filosofiavan.wordpress.com